Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Nova doutrina militar visa defender recursos energéticos, proteger país da NATO e terrorismo


A nova doutrina militar russa visa responder a novos perigos militares como a luta pelos recursos energéticos e outros com o emprego das Forças Armadas, contra o alargamento da NATO, a difusão de armas de extermínio em massa e o terrorismo internacional, declarou Nikolai Patruchev, secretário do Conselho de Segurança da Rússia.
Numa entrevista hoje publicada no diário Rossiskaia Gazeta, Patruchev revelou o novo documento é constituído por um prefácio, onde são definidos os termos utilizados no documento e três capítulos, sublinhando que se trata de um “documento de carácter defensivo”.
Porém, a nova doutrina militar prevê a possibilidade de emprego, por parte da Rússia, de armas nucleares para responder a uma agressão com o emprego de armas convencionais, bem como para desferir ataques preventivos.
Segundo Patruchev, uma das primeiras tarefas do Estado é “a preparação de Forças Armadas móveis, compactas, equipadas com armamentos modernos e capazes de reagir eficazmente às ameaças”.
O documento dedica particular atenção aos “novos desafios geopolíticos”, entre os quais estão a luta pelos recursos energéticos, pretensões territoriais, alargamento da NATO, difusão de armas de destruição massiva e terrorismo internacional.
Esta doutrina militar é a terceira na história contemporânea da Rússia. A primeira, elaborada em 1993, partia do princípio que “os conflitos militares estão excluídos”. A segunda tinha um “carácter defensivo”.
“Mas a vida não parou. O posterior desenvolvimento da situação no mundo mostrou que os conflitos militares são possíveis, nomeadamente de grandes dimensões”, concluiu Patruchev.

Disputas religiosas poderão estar na origem de assassinato de sacerdote ortodoxo


O assasinato a tiro do sacerdote moscovita Daniil Sissoev pode dever-se a motivos religiosos, sendo conhecidas as suas disputas com “defensores do Islão” e seitas, considera o Comité de Investigação da Rússia (CIR).
Cerca das 23 horas (20 horas em Lisboa) de quinta-feira, um homem, de máscara médica no rosto, entrou num templo ortodoxo da capital russa, chamou o pároco e assassinou-o a tiro, tendo ferido também o regente do coro.
“O mais provável é que o crime tenha sido cometido por motivos religiosos, embora, por enquanto, se analisam todas versões posssíveis”, declarou Anatoli Bagmet, chefe do Departamento de Moscovo do CIR.
Daniil Sissoev, de 35 anos de idade, dedicava grande parte do seu tempo à actividade missionária, tendo criado uma escola para preparar “sacerdotes de rua”.
O sacerdote participava activamente em disputas com muçulmanos, tendo publicado um livro em que condenava os casamentos entre cristãos e muçulmanos.
Há quatro anos atrás, o padre recebeu ameaças de morte, alegadamente de “islamitas radicais” que juravam “cortar-lhe a cabeça” e “pôr as tripas à mostra”. O sacerdote viu-se obrigado a pedir protecção ao Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia.
Além das disputas com os muçulmanos, o sacerdote lutava contra seitas religiosas, colaborando com o Centro de Reabilitação das Vítimas dos Cultos Totalitários.
Daniil Sissoev era também um forte adversário da “teoria da evolução””, considerando “o evolucionismo não uma ciência, mas uma ideologia muito suja (para não dizer falsa), incompatível com o cristianismo sob qualquer forma”.
O último livro por ele publicado tem por título “Instrução para os imortais: o que fazer se você morreu”.
“Estou convencido que se trata de um disparo religiosamente motivado. Se assim é, claro que o padre Daniil faz aumentar o número dos mártires russos”, considerou o teólogo ortodoxo Andrei Kuraev.
Damir Guizatulin, vice-chefe da Direcção Espiritual dos Muçulmanos da Parte Europeia da Rússia, aponta o dedo para os “sectários”.
“Esse crime não pode ter sido cometido por uma pessoa crente, independentemente da religião a que pertence. A religião, nomeadamente o Islão, proíbem o assassinato de pessoas”, frisou.
O sacerdote deixou esposa e três filhos.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Rússia dá passo civilizacional importante


O Tribunal Constitucional da Rússia decidiu hoje que “a pena de morte não pode ser empregue até que o Parlamento russo ratifique o Protocolo Nº 6 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, que proibe o emprego da pena de morte em tempo de paz2.
Moscovo assinou esse documento, mas ainda não o ratificou.
Segundo o porta-voz do Tribunal Constitucional da Rússia, esta decisão significa o fim da pena de morte no país.
Ao anunciar a decisão, Valeri Zorkin, Presidente do Tribunal Constitucional da Rússia, com sede em São Petersburgo, fundamentou-a com o facto de o país ter assinado “uma série de normas internacionais que proíbem ou recomendam a proibição do emprego da pena de morte”.
O juiz recordou que a Rússia foi aceite como membro do Conselho da Europa precisamente por se ter comprometido a não empregar a pena de morte.
A decisão de banir a pena de morte do Código Penal da Rússia não é pacífica na sociedade russa, o que levou o Parlamento da Rússia a não ter tomado ainda uma posição clara face à Convenção Europeia dos Direitos Humanos.
Os críticos da pena de morte chamam a atenção para o facto de a Rússia vir a ser expulsa do Conselho da Europa caso opte por empregar esse tipo de pena.
Os defensores da pena de morte dizem que o país ainda não está pronto para a sua abolição e apontam os exemplos de países como Japão e os Estados Unidos, onde esse tipo de pena continua a existir.
O Tribunal Constitucional pôs fim à discussão e obrigou o Parlamento a ratificar a lei que proíbe a pena de morte.

Rússia aboliu a pena de morte!!!!!!!!!!!!!!!!!

Trata-se de uma grande notícia que deve ser recebida com toda a alegria: o Tribunal Constitucional da Rússia aboliu, de facto, a pena de morte no país.
Reservo para mais tarde pormenores, mas não podia deixar de sublinhar este facto histórico na História da Rússia. O sonho de muitos humanistas russos tornou-se, finalmente, uma realidade.

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Polícias russos recorrem ao Youtube para denunciar injustiças e corrupção


É cada vez maior o número de agentes da polícia que recorrem às novas tecnologias, neste caso ao Youtube, para fazerem chegar as suas queixas às mais altas esferas do poder político.
A onda foi desencadeada pelo major da polícia Aleksei Dimovski, quando, no passado dia 07 de Novembro, gravou uma mensagem no Youtube onde acusa os seus superior de exigirem a descoberta de crimes inexistentes e de atirarem inocentes para a prisão. Convencido de que o comando da polícia de Novorrossisk, cidade do Sul da Rússia onde vive o major, não dava ouvidos às suas queixas, pediu uma audição ao primeiro-ministro, Vladimir Putin, através da Internet.
A resposta do comando foi rápida, acusando o major de estar ao serviço de forças estrangeiras, nomeadamente de receber o apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional” (USAID).
“O modo, a forma e o tempo escolhidos para publicar o seu vídeo-apelo mostram que Dimovski goza do apoio de terceiras forças”, declarou uma fonte do Ministério do Interior da Rússia à agência Interfax.
O major teve de fugir de Novorrossisk para Moscovo, declarando que estava a receber ameaças, mas estas não travaram a avalanche de mensagens dirigidas por colegas seus às autoridades através da Internet.
No dia 11 de Novembro, um antigo agente da polícia de trânsito de Moscovo recorreu ao Youtube para acusar os seus chefes de o terem despedido por ter aderido ao sindicato independente da polícia.
No dia seguinte, Mikhail Evseev, antigo oficial da polícia judiciária da cidade de Ukhta, foi também ao Youtube para lançar ao Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, uma apelo onde acusa seus chefes de terem acusado sem fundamento duas pessoas de terem incendiado um centro comercial em 2005. Elas cumprem actualmente uma pena de prisão perpétua.
A 13 de Novembro, Tatiana Domratcheva, oficial da polícia da região de Sverdlovsk, nos Urais, acusou os seus chefes de “abuso de poder”, recebendo como resposta a acusação de “difamação”.
“Esta cidadã tenta, deste modo, utilizando a confusão criada pelo major Dimovski, tenta denegrir as acções dos agentes da polícia de Sverdlovsk, mas não conseguirá isso”, comentou Valeri Grolikh, porta-voz da polícia.
Onteontem, foi a vez de Igor Koninguin, antigo colega da major Domratcheva, recorrer ao Youtube não só para apoiar a colega, mas revelar novos dados sobre a corrupção no comando.
Ontem, a “epidemia do Youtube” levou Alexandre Popov, funcionário da Procuradoria Militar da cidade de Sotchi, no sul da Rússia, a solidarizar-se com os colegas perseguidos e a apontar uma das principais causas da corrupção na polícia.
“Gostaria de confirmar as palavras sobre a situação material humilhante e vergonhosa da maioria dos funcionários da polícia. Por isso, eles são obrigados a procurar quaisquer fontes de rendimento, principalmente ilegais. Todos sabem disso e nada é preciso provar”, declarou Popov na sua vídeo-mensagem.
Hoje, registou-se mais um caso. Por este andar, o Youtube pode transformar-se numa dor de cabeça para as autoridades russas. E se este exemplo for copiado noutros lugares?

Blog dos leitores (A morte de Sergei Magnitsky e o niilismo legal)


O leitor António Campos enviou-nos o texto que abaixo publicamos:


De acordo com o Wall Street Journal, Sergei Magnitsky um advogado que trabalhava para a empresa Hermitage Capital Management, acaba de morrer numa prisão de Moscovo, após as autoridades lhe terem recusado tratamento médico adequado. De acordo com a publicação, Irina Dudukina, porta-voz da unidade de investigação do Ministério do Interior, afirmou que Magnitski faleceu de “falha cardíaca”, tendo adiantado que não existiam registos de problemas de saúde e que o mesmo, numa audiência na semana passada, não teria feito qualquer referência ao assunto. No entanto, documentos apresentados pelo seu advogado e antigos colegas, demonstram que Magnitsky apresentou numerosos pedidos e queixas relativas a falta de tratamento médico, incluindo na audiência referida, tendo todos sido rejeitados.

Sergei Magnitsky foi preso há cerca de um ano, acusado de evasão fiscal num caso envolvendo a Hermitage Capital Management. Como é do conhecimento geral, esta gestora de fundos está envolvida numa batalha legal contra as autoridades russas, após ter acusado uma série de altos funcionários de envolvimento num esquema criminoso de apropriação dos activos da empresa, seguido de um pedido fraudulento de reembolso fiscal, que foi prontamente aceite pelas autoridades.

As autoridades russas fizeram a assombrosa afirmação de que a complexa fraude fiscal, envolvendo o roubo centenas de milhões de dólares ao tesouro russo, terá sido perpetrada por um antigo trabalhador de uma serração.

Segundo o jornal, Magnitsky foi detido em Novembro de 2008 após ter prestado testemunho sobre as referidas fraudes. Foi-lhe negada fiança com base na alegação de que o mesmo tinha pedido um visto para a Grã-Bretanha. Tal foi posteriormente refutado pelas autoridades consulares britânicas.

O jornal adianta que Jamison Firestone, sócio da Firestone Duncan, antiga consultora jurídica da Hermitage Capital, afirmou : “Prenderam-no durante 11 meses, exigindo-lhe que fabricasse falsos testemunhos contra a Hermitage. Quanto mais ele recusava, mais as condições pioravam”.

Em declarações submetidas ao tribunal, Magnitsky alegou que lhe tinha sido recusado tratamento de problemas no estômago e no pâncreas, diagnosticados na prisão onde anteriormente esteve detido. Nestas declarações, Magnitsky protesta contra as condições da prisão de Butyrskaya, afirmando que uma das celas onde esteve encarcerado não tinha sequer vidros nas janelas. Funcionários da prisão recusaram-se a comentar as alegações. Na semana passada, ocorreu uma audiência num corredor da prisão, onde os investigadores apresentaram a Magnitsky documentos para ler, no contexto de uma moção destinada a alargar o seu período de pré-detenção. Nessa “audiência” no corredor, Magnitsky permaneceu algemado a um radiador. O juiz recusou-lhe tempo adicional para estudar os materiais que lhe foram apresentados.

Os médicos prisionais afirmaram ao advogado de Magnitsky que a causa da morte foi “choque tóxico e necrose pancreática”. Está planeada uma investigação sobre a ocorrência.

Esta trágica notícia escreve volumes acerca do combate presidencial ao niilismo legal, constituindo mais uma evidência sinistra de que a retórica da administração muito dificilmente passará a factos concretos.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Contributo para História de Portugal (parte 2)

"Durante esta parte da conversa, sentiam-se as fortes simpatias de Salazar para com a Inglaterra. Salazar afirma que, por enquanto, não há quaisquer atritos entre a Alemanha e Itália, por um lado, e a França, por outro. A Inglaterra e França, segundo Salazar, tentam fazer com que ambas as partes combatentes sintam a “fome de armas”, esperando desse modo obrigá-los a reconciliar-se. Franco aceitaria o controlo internacional, visto que para ele seria importante, antes de tudo, fechar a fronteira franco-espanhola, que lhe provoca a maior das preocupações; porém esse controlo pode mostrar-se perigoso para ele caso a situação se prolongue.
Depois, passámos às nossas relações com a Alemanha. Eu expliquei a Salazar as fontes do pacto de não-agressão e assinalei que ele influiu na tranquilização da atmosfera, por exemplo, na questão do chamado “corredor”, que era constantemente apresentado como o principal perigo de conflito armado na Europa. Eu sublinhei que o nosso acordo com a Alemanha não prejudica em nada a nossa união militar com França. Da parte da nossa conversa dedicada à Alemanha, era evidente que Salazar, até ao presente, estava unilateralmente informado pelos alemães no sentido de que o “corridor”dividide o Estado alemão em duas partes que não têm possibilidade de manter livremente ligações uma com a outra. Ele nada sabia sobre as facilidades aduaneiras e sobre as convenções que praticamente dão aos alemãos possibilidades ilimitadas de comunicação, não excluindo o transporte de tropas.
Depois passámos ao tema de França. Segundo Salazar, a França irá pagar caro pelo seu “flirt” com a União Soviética. Ele afirma que as reformas sociais podem ser realizadas a um preço mais baixo e o pior é que os círculos comunistas não perderam a oportunidade de utilizar o momento para convencer as massas de que elas devem os melhoramentes subjectivos da sua situação (porque, objectivamente, não) não ao governo francês, mas à influência da URSS na França. Salazar constatou que Paris constitui o centro da Comintern, que realiza o seu trabalho na Europa Ocidental, e o foco de epidemia e de acção subversiva, realizada a partir de Paris noutros Estados. Ele sublinhou que a propaganda comunista toma dimensões cada mais ameaçadoras nas colónias, particularmente na África do Norte. Aí, é verdade, é difícil distinguir a actividade provocadora dos órgãos de segurança e da administração, mas a situação, além disso, é bastante séria, visto que uma manobra policialmuito bem pensada dá, por vezes, resultados inesperados. Os franceses esperam que as suas massas sejam pouco permeáveis à propaganda comunista, porque são fundamentalmente constituídas por pequenos proprietários. O primeiro-ministro exprimiu a opinião de que essa convicção pode ser falsa, quando os instintos se tornam desenfreados e quando os contrastes dsempenham um papel fundamental. Além disso, ele é da opinião que se em França ocorrerem acontecimentos apenas análogos aos que vemos em Espanha, a Alemanha irá reagir activamente a isso sob a forma de envio de tropas para França, motivando as suas acções com o receio perante o alastramento da epidemia comunista.
Para concluir, Salazar, por iniciativa própria, repetiu-me que ele recorrerá com agrado à ajuda da Polónia, enquanto Estado que pretende à conservação da paz e da ordem em todo o mundo, na luta contra os agentes da Cominyern no território de Portugal.
Ele caracterizou resumidamente a situação política no seu Estado e, vendo uma certa analogia entre a Polónia e Portugal, constatou com um sorriso que, com base na experiência e no estudo, nós, não obstante a distância que nos separa e outras condições locais, chegamos a conclusões e métodos semelhantes de direcção do Estado. Trata-se de que a ditadura em Portugal é caracterizada como a luta contra o comunismo, a exclusão dos partidos políticos como um momento da vida estatal e o desejo de evitar os métodos empregues nos Estados com um regime “total”, onde tudo se submete ao Estado, não excluindo a ética.
Como se pode ver das questões abordadas, a nossa conversa, do ponto de vista político, foi muito interessante e espero que me dê possibilidade de realizar posteriormente com Salazar conversas de trabalho”.
Fim

Blog dos leitores

Caro José Milhazes,
Sou um artista visual a desenvolver um novo projecto artístico acercado fenómeno dos "dacha" em Murmansk Oblast. O trabalho está a serdesenvolvido em cooperação com cientistas sociais que trabalham nestaregião. Vamos ter uma primeira exposição já no dia 11 de Dezembro noespaço Carpe Diem - Arte e pesquisa em Lisboa. Gostávamos muito quepudesse visitar o web site do projecto e se possível que o divulgasseno seu blogue "Da Russia". http://dacha.webnode.com/
Um abraço,João Serra

União Europeia continua à deriva na política energética


Ontem, sem esperar pela realização da cimeira UE-Rússia, que se realiza a 18 de Novembro em Estocolmo, o ministro da Economia da Rússia, Serguei Chmatko, e o Comissário para a Energia da União Europeia, Andris Piebalgs, assinaram, em Moscovo, um memorando sobre um mecanismo de pré-alerta no domínio energético.
Este documento prevê acções comuns a tomar em caso de interrupções dos fornecimentos de recursos energéticos russos à Europa, provocadas, entre outras causas, pelos países de trânsito. Além disso, ele define conceitos como “situação de emergência” e “mecanismo de pré-alerta”.
À primeira vista, trata-se de um documento de extrema importância tendo em conta os problemas que têm surgido no fornecimento de gás russo à Europa desde 2000.
Porém, é surpreendente o facto deste memorando ter sido assinado entre a Rússia e a União Europeia, sem que os países de trânsito tenham participado na elaboração e assinatura deste documento.
Isto é tanto mais estranho se tivermos em conta que nunca existiram problemas entre a Rússia e a União Europeia, mas sim entre a Rússia e a Ucrânia.
Ora, se a Ucrânia, tal como aconteceu o ano passado, deixar de fornecer gás à Europa, alegando que o não recebia da Rússia, o que poderão fazer Bruxelas e Moscovo?
Moscovo poderá repetir a experiência do ano passado e fechar a torneira, acusando Kiev de não cumprir os seus compromissos. E o que poderá fazer Bruxelas? Exercer pressão sobre a Ucrânia em plena campanha eleitoral para as presidenciais, que se realizam a 17 de Janeiro, para que regularize as contas com o país vizinho ou pagar as dívidas ucranianas?
Alguns analistas defendem que , este ano, os dirigentes ucranianos não ousarão provocar uma crise nos fornecimentos do gás, porque tanto o Presidente da Ucrânia, Victor Iuschenko, como a primeira-ministra, Iúlia Timochenko participam na corrida eleitoral e quebras de fornecimento de gás podem custar votos.
Mas, por outro lado, os participantes na corrida eleitoral, que deverão ser mais de vinte, poderão utilizar métodos tais de luta política para desacreditar os adversários, que tudo é possível. Alguns deputados do Bloco de Iúlia Timochenko foram acusados de pedofilia; o Presidente já acusou a primeira-ministra de provocar a gripe A H1N1. Até Janeiro, tudo é possível, basta recordar as presidenciais de 2004 com envenamentos, assassinatos, fraudes, etc.
O problema do fornecimento do gás russo à Europa mostra uma vez mais a incapacidade de a União Europeia ter uma política energética sensata e coordenada.
Apenas mais um exemplo, quando a Rússia lançou o projecto de construção do gasoduto “North Stream”, que deverá transportar combustível azul russo para a Alemanha através do Mar Báltico, países como a Estónia, Finlândia e Suécia levantaram sérias reservas à passagem do pipeline pelas suas águas territoriais, alegando preocupações ecológicas.
Os governantes suecos prometeram “consultar cada peixe do Báltico” antes de aceitarem a proposta russa, mas acabaram por ceder depois de a Rússia aceitar suspender os trabalhos durante “a desova do bacalhau”. Pelo menos, os portugueses podem ficar descansados quanto ao futuro do “fiel amigo”.
A Finlândia recebeu mais um ano de facilidades alfandegárias na importação de troncos de madeira da Rússia, que Vladimir Putin admitiu prolongar por mais um ano.
A Estónia não cedeu e ficou fora do negócio.
Ter uma política energética comum não significa isolar a Rússia, mas faz aumentar o peso da União Europeia no diálogo bilateral. Por enquanto, cada um dos membros da UE puxa “a brasa para a sua sardinha”.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Rússia adia entrada em funcionamento de central nuclear no Irão

Serguei Chmatko, ministro da Energia da Rússia, anunciou que a central nuclear de Busher, no Irão, não irá entrar em funcionamento até ao fim do ano, sublinhando que tal se deve a razões tecnológicas.
“Esperamos resultados sérios até ao fim do ano, mas a central não entrará em funcionamento”, anunciou hoje o ministro russo, frisando que “a Rússia continua a cumprir os seus compromissos perante o Irão”.
Segundo Chmatko, os prazos de construção da central nuclear de Busher são determinados pelas condições tecnológicas e a entrada em funcionamento deve ser ligada à garantia de segurança.
“Os iranianos vêem como a construção avança e não nos fazem perguntas”, sublinhou o ministro.
Em finais de Outubro foi anunciado que a central de Busher poderia entrar em funcionamento até ao fim do ano corrente. A agência iraniana IRNA, citando Ali Akbar Salehi, vice-presidente do Irão, noticiou que 96 por cento da central estava pronta e de que os testes de funcionamento iriam começar nos próximos tempos.
A central nuclear de Busher começou a ser construída em 1975 por empresas alemãs, que suspenderam os trabalhos devido às sanções impostas ao Irão pelos Estados Unidos depois da sua embaixada em Teerão ter sido tomada por manifestantes iranianos.
A empresa russa Atomstroieksport retomou os trabalhos e a central deveria entrar em funcionamento a 08 de Julho de 1999, mas a inauguração foi várias vezes adiada.
Em Janeiro passado, a Rússia anunciou ter fornecido o combustível para a central, o que, normalmente, é feito meio anos antes da entrada em funcionamento. No início de Outubro informou-se que estavam perto do fim os últimos testes.
Analistas russos consideram que estes adiamentos têm origem política, são provocados pelo facto de as autoridades iranianas não pretenderem colaborar com a comunidade internacional no que respeita ao seu programa nuclear.
No encontro do Presidente russo, Dmitri Medvedev, com o seu homólogo norte-americano, Barack Obama, realizado em Singapura, o primeiro sublinhou que Moscovo e Washington não estavam satisfeitos com os ritmos das conversações com Teerão.
As autoridades iranianas responderam com a ameaça de criarem o seu próprio sistema de defesa anti-aéreo se a Rússia não fornecer ao Irão os mísseis S-300, que já deviam ter sido entregues há meio ano.
P.S. Afinal a paciência da Rússia também tem limites e Teerão parece não dar conta disso.

Domingo, Novembro 15, 2009

Contributo para História de Portugal (parte 1)


No dia 13 de Maio de 1937, chegou às mãos de José Estaline e de Viatcheslav Molotov um documento conseguido pela Direcção Principal de Segurança do Estado do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD, antecessor do KGB) junto de “uma fonte próxima do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Polónia.
Tratava-se de um resumo de uma conversa entre Karl Dubic-Penter, embaixador polaco em Lisboa, e Oliveira Salazar, chefe do Conselho de Ministros de Portugal.
Publico a tradução integral do documento de russo para português, pois ele revela algumas das ideias de Salazar sobre política interna e externa.
“No dia de 13 de Março, eu fui recebido por Salazar, ditador de facto de Portugal, que desde Outubro de 1936 ocupa o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros. Salazar é, desde 1928, ministro das Finanças e, desde 1932, primeiro-ministro.
A minha visita foi motivada pelo facto de, antes de entregar as credenciais, dever ser recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros. Visto que Salazar está muito subcarregado de trabalho e está muito ocupado, a minha visita e entrega de credenciais diplomáticas ocorreram com um certo atraso. A minha conversa com Salazar durou mais de uma hora. Quero expor abaixo os momentos mais importantes e característicos dela.
Salazar, tal como todas as camadas da população portuguesa que apoiam a actual ordem de coisas, receia a infiltração do comunismo e a actividade subversiva da III Internacional. Salazar perguntou-me como é que a Polónia conseguia controlar a acção da Comintern, não obstante ter uma longa fronteira comum com a URSS. Ao caracterizar-lhe a situação na faixa fronteiriça e ao chamar a atenção para uma espécie de vacina preventiva através do contacto directo, eu falei-lhe da criação da K.O.P. (Corpo de Protecção de Fronteiras), das causas, da organização do trabalho e resultados, bem como do nosso estudo da organização, dos métodos de trabalho e da constituição pessoal da Comintern, que se tornou um ponto de partida no nosso trabalho bem sucedido.
Visto que eu tinha sido incumbido pelo chefe do Estado-Maior e pelo chefe do 2º Departamento de estabelecer com o Governo português, na base do intercâmbio de informação sobre a III Internacional, cooperação que prevê também a prestação de ajuda da nossa parte na tarefa de organização de espionagem e de actividades de segurança, eu propus a Salazar ajuda nesse sentido. Salazar recebeu a minha proposta com extrema benevolência e garantiu-me que irá utilizar amplamente essa possibilidade.
Depois, a nossa conversa passou para o tema das nossas relações com a União Soviética, compreendendo Salazar muito bem a situação. Depois, o primeiro-ministro fez-me uma pergunta sobre a acção do coronel Koz.
Realizando uma certa analogia com a criação, em Portugal, da “Unio Nacional”, ele expôs-me os pontos fundamentais do seu programa. Salazar interessou-se muito pela actividade de partidos políticos no nosso país, pelo papel que eles desempenham na vida estatal, parlamental, cultural e educativa do país. Eu desenhei-lhe um quadro da situação até Maio de 1926 e mais tarde. Eu expus-lhe as bases da nossa Constituição e os médotos na sua realização prática.
Depois, passámos para o tema de Espanha. Salazar deseja ao general Franco uma vitória rápida e definitiva, sem a qual será difícil criar um governo forte e operativo na nova Espanha. Se vencerem os comunistas, considera Salazar, surgirá um sério perigo não só para Portugal, mas também para a Europa Ocidental. À luz disso, ele expôs-me uma caracterização clara do papel de Inglaterra.
A Inglaterra tem receio do fascismo. Isso explica a sua indecisão e meias-medidas na questão espanhola. Infelizmente, a Inglaterra, enquanto Estado com sólidas tradições parlamentares, tem de voltar novamente, com base nos erros cometidos, a convencer a sua opinião pública, o que provoca perda de tempo e ritmos vagarosos da evolução decorrente.
Salazar disse textualmente o seguinte: “Eu tentei ardentemente aqui convencer os ingleses a prestarem assistência ao general Franco e a garantir a si próprios, através da iniciativa, influência decisiva no desenrolar dos acontecimentos; infelizmente, eles não se decidiram a fazer isso e, por conseguinte, o seu lugar foi ocupado por alemães e italianos, e isto, por sua vez, fez afastar os ingleses. Porém, agora, eles conseguiram guardar para si a última palavra, mas agora é difícil dizer se o arrastar da situação não enfraquece as forças do general Franco”.
(Cont.)

Sábado, Novembro 14, 2009

Futebol "acelera" assinatura de acordo sobre construção do gasoduto South Stream


O jogo de apuramento para o Campeonato do Mundo de Futebol de 2010 entre a Rússia e a Eslovénia acelerou a assinatura do acordo entre os dois países sobre a construção do gasoduto “South Stream”, declarou Borut Pahor, primeiro ministro eslovénio.
Pahor e o seu homólogo russo, Vladimir Putin, assinaram hoje um acordo sobre a cooperação na construção e exploração do gasoduto “South Stream” no território da Eslovénia, sendo este país o último por onde passa o pippeline a chegar a acordo com, a Rússia.
“Chegou a agora de revelar a verdade. Devo responder à pergunta porque é que decidimos acelerar as conversações. Queríamos assinar o acordo ainda antes de estragar as nossas relações devido à vitória da nossa selecção”, declarou o bem-humorado primeiro-ministro eslovénio.
As selecções da Rússia e da Eslovénia disputam hoje a primeira-mão do play off que permitirá o apuramento de uma das equipas.
“Nós temos um provérbio: não grites golo antes de o marcar. Vencerá o mais forte e iremos saudar essa vitória”, retorquiu Putin.
“O “South Stream” torna-se realmente um grande projecto europeu, nós assinámos hoje o último acordo com todos os parceiros que são necessários à realização deste projecto”, acrescentou.
O novo gasoduto, que deverá entrar em funcionamento em 2015, deverá transportar, anualmente, 63 mil milhões de metros cúbicos de gás natural da Rússia e Ásia Central, através dos mares Cáspio e Negro, até à Europa.
No continente europeu, este pipeline atravessará e fornecerá gás a países como Bulgária, Grécia, Hungria, Sérvia, Eslovénia, Aústria e Itália.
Este gasoduto pretende ser um concorrente do projecto “Nabucco”, apoiado pela União Europeia.

Autoridades confirmam a morte de dois militares na explosão de paiol e graves prejuízos materiais


As autoridades militares russas confirmaram hoje a morte de dois militares e grandes prejuízos materiais provocados por um incêndio num paiol de munições na cidade de Ulianovsk.
“Grupos de sapadores chegaram ao local do incêndio, onde foram encontrados os cadáveres de dois militares, membros da corporação de bombeiros do paiol que tentaram impedir o alastramento das chamas”, declarou Aleksei Kuznetsov, porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia.
Segundo as autoridades militares, as explosões de munições de artilharia no paiol, que começaram às 15.30 horas (12.30 em Lisboa) de sexta-feira e continuaram até altas horas da noite, poderão ter sido provocadas durante trabalhos de liquidação de munições, pondo de lado a possibilidade de se ter tratado de um acto terrorista.
Serguei Morozov, governador da região de Ulianovsk, declarou que entre as duas pessoas gravemente feridas “encontra-se a mulher que poderia ter estado na origem do incêndio”, acrescentando que “segundo dados prévios, ela violou o processo de desmontagem de munições, o que provocou a explosão com as consequências conhecidas”.
Segundo o porta-voz do Ministério da Defesa, “dezassete grupos de sapadores começaram uma operação com vista a detectar munições que não tenham explodido e a neutralizá-las”.
Os sapadores já encontraram pelo menos seis munições de artilharia que não explodiram fora do território do quartel onde se encontrava o paiol.
As autoridades civis informam que as explosões partiram os vidros de mais de 200 edifícios e causaram prejuízos nos telhados de 24 residências dos oficiais.