Sexta-feira, Junho 01, 2012

Eurovisão-2012: “Gaytana” e as cores do Bacu

 
Texto traduzido e enviado por Jest:

"Azerbaidjão, que tem todas as possibilidades de se tornar uma democracia islâmica, ao estilo da Turquia, aproveitou a sua vitória no Festival Eurovisão-2011 para modernizar a cidade capital.

por: Azad Safarov, jornalista do 5-to canal, especialmente para Life.pravda.com.ua

Se geralmente os países limitam a sua preparação à Eurovisão com a construção do palco, o Azerbaidjão transformou no palco toda a cidade capital. Em menos de um ano Bacu mudou tanto, que os próprios moradores já não o reconhecem.

Em todas as ruas centrais as pessoas arrumam, regam os relvados, lavam as janelas e limpam os fontanários. Tudo aquilo que deveria ser construído: hotéis, supermercados, estacionamentos – foram construídos. Especialmente para os turistas, todas as paragens de transporte público receberam os mapas interativos e itinerários dos autocarros. Além disso, existem e-quiosques, uma pequena estação computorizada que permite ligar ao controlador e pedir ajuda, navegar na Net, usar Skype e até ouvir a música preferida.

Azerbaidjão encarrou o Eurovisão como a possibilidade de melhorar a imagem do país. Por isso a capital aumentou a avenida principal em alguns quilómetros, comprou milhares de novos táxis britânicos e em menos de um ano construiu a luxuosa sala de concertos “Cristal Hall”. Embora a parte nova da avenida só era acessível às pessoas que tinham os bilhetes ou trabalhavam para Eurovisão.

Uma grande quantidade de seguranças à civil está presente na avenida principal e nos arredores da sala. Eles pedem educadamente aos jornalistas para não os fotografarem. Para entrar na sala de imprensa, nos primeiros dias os jornalistas tinham de passar por 5 postos de controlo, que mais tarde foram diminuindo para 2, embora o detetor dos metais, na entrada do centro da imprensa, ficou lá definitivamente. O centro fica ao lado do palco principal, consegue acomodar mais de 1000 jornalistas, que tiveram o acesso facilitado às aparelhagens, receberam os cartões telefónicos gratuitos e até a comida. A cozinha ficou no edifício da imprensa, aqui ofereciam os refrescos e canapés com o queijo azeri, nos mangais da rua faziam as espetadas, também gratuitas. Os jornalistas, que faziam as filas para comer as espetadas, diziam não se lembrar de algo parecido, “em Moscovo as pequenas canapés com linguiça custavam 2 Euros”, - conta um jornalista dinamarquês. Cada delegação também recebeu dos organizadores um autocarro luxuoso para os passeios na cidade e “comboio” automóvel para assegurar a rota entre hotel e o “Cristal Hall”.

Chocolate “Gaytana”

Os moradores de Bacu sabiam que Gaytana representa a Ucrânia, só não conseguiam memorizar o seu nome. Nem planeavam votar nela (os favoritos entre os azeris são Suécia e Turquia). Para ficar (literalmente) na boca do povo, Gaytana distribuía o chocolate com o seu nome. Na embalagem estava estampada a foto de uma mulher africana em trajes minimalistas e se dizia “não é para a venda”. Escondendo o nome da artista, o jornalista levou o chocolate ao mercado para saber se o povo irá reconhecer a afro-ucraniana. Os vendedores “reconheciam” na imagem as diversas “divas” soviéticas, outros ficaram ofendidos pois, afinal, não se tratava de uma “cantora brasileira”. Mas todos os vendedores concordaram que “moça é bonita”, embora não se veste de acordo com as regras islâmicas e prometeram votar nela.

Os lugares cimeiros em frente da tala no centro de imprensa foram ocupados pelos cerca de 40 jornalistas azeris e turcos. Na avenida, onde foi colocado um outro ecrã gigante não havia nenhum lugar vazio (os bilhetes para o concerto custavam entre 100 à 300 USD).     

Fonte:

Cazaquistão: Autoridades proíbem exibição do filme “Ditador”

    
O filme “Ditador”, de Sacha Baron Cohen e Larry Charles, foi retirado dos cinemas no Cazaquistão duas semanas depois da sua estreia nesse país da Ásia Central, informou hoje a imprensa local.
Segundo a agência Novosti-Kazakhstan, o título do filme deixou de figurar nos programas dos cinemas de Astana e de Alma-Ata, as duas maiores cidades do Cazaquistão.
A distribuidora "Interfilm" recusou-se a comentar a notícia.
Esta não é a primeira vez que os filmes de Sacha Baron Cohen enfrentam problemas no Cazaquistão. Em 2006, o filme "Borat" - no qual o ator encarnava um repórter enviado do Cazaquistão aos Estados Unidos para fazer um documentário - provocou fortes críticas das autoridades cazaques, que o consideraram um insulto ao país.
A exibição desse filme foi também proibida na Rússia.
A comédia "Ditador" foi também proibida na Turqueménia e no Tadjiquistão, também Estados da Ásia Central.
A empresa Tantana, que distribui filmes estrangeiros no Tadjiquistão, justificou a sua decisão de não comprar o filme com "a mentalidade dos habitantes".
Os dirigentes destes três países da Ásia Central têm sido alvos de críticas de organizações internacionais por violações dos direitos humanos.

Convite para lançamento do livro em Moscovo



Португальский культурный центр PORTUGUES.RU и Посольство Португалии в Москве приглашают вас на авторскую презентацию книги знаменитого португальского журналиста и историка Жузе Милязеша, и жены Сийри Мильязеша:

"Португалия: «Здесь русский дух». Лиссабон."

Жузе Милязеш:
«Эта книга на русском языке, написанная мной вместе с моей супругой.
В ней рассказывается не о классических туристических маршрутах, которые предлагают тем, кто посещал нашу страну или собирается это сделать: это попытка показать россиянам, приезжающим в Португалию, что в ней очень много русского, и что она вовсе не так далека от России, как это может показаться на первый взгляд.
Читатели книги «Португалия: «Здесь русский дух...». Лиссабон» увидят португальскую столицу, а также находящиеся неподалеку от нее Эшторил и Кабо да Рока глазами россиян, посетивших их в разное время. Это хорошо известные в России деятели науки, мореплаватели, живописцы и литераторы XIX, XX и XXI вв.».

Жузе Милязеш уже более 30 лет живет в СССР/России, где представляет португальское новостное агенство Луза, телеканал SIC и преподает португальский язык в Португальском культурном центре PORTUGUES.RU. В 2009 году вышла его первая книга Angola – O Princípio do Fim da União Soviética (Ангола — начало конца Советского Союза), которая стала первой монографией на португальском языке об участии СССР в ангольской гражданской войне. В следующем году вышла его следующая книга Samora Machel: Atentado ou Acidente (Самора Машел: покушение или катастрофа). В 2012 году году увидела свет «Сага о португальцах в России».

После небольшой лекции все желающие смогут задать вопросы автору и принять участие в неформальном обсуждении. Лекция и дебаты будут переводиться с португальского на русский.

Встреча и лекция состоятся в воскресенье, 10 июня, в 14:00
в клубе «Цвет ночи»: Б. Козихинский пер., 12/2 (Схема проезда)

Вход свободный

Количество книг ограничено. Забронировать экземпляр можно, написав по адресу info@portugues.ru

Организаторы: Португальский культурный центр и курсы португальского языка PORTUGUES.RU при поддержке Посольства Португалии в Москве

Quinta-feira, Maio 31, 2012

A “cruzada” linguística dos “bilinguistas”






"A reflexão pública do blogueiro ucraniano do leste da Ucrânia sobre a cruzada em “defesa” dos falantes da língua russa, anunciada por uma parte mais radical do Partido das Regiões.



Durante o recente encontro com a deputada do Partido das Regiões, Yelena Bondarenko, em que esteve presente na qualidade do jornalista, convenci-me do que o nosso povo será mais uma vez “puxado pela língua”, nas vésperas das eleições legislativas.



Quando a deputada, sem mais nem menos, começou a falar sobre o “desalojamento da população russófona da Ucrânia”, eu compreendi que Regiões não terão nenhum programa económico inteligível e em vez deste, nos espera a palhaçada do costume.



Quando a fotografia do Vadim Kolesnichenko de camisa rota na tribuna do Parlamento ucraniano correu a imprensa, eu soube com a surpresa que este homem arriscou a sua saúde por minha causa. Meteu a cabeça aos socos, estragou as roupas caras pagas com o dinheirinho modesto do deputado, e tudo isso, defendendo os meus interesses. Pelo menos ele dizia que sim.



Pois sou eu, o tal morador russófono de Donbass, com as raízes étnicas russas, cujos direitos são violados pelos “fascistas”. Sou o tal descendente do veterano do exército soviético, ferido nos combates da II G.M., que na opinião da Yelena Bondarenko é desalojado da Ucrânia pelos agentes da “ucrainização rastejante”. São os meus avôs “que combateram”, logo dois, como deve ser. Significa que é por mim que os deputados estão prontos à partir os seus maxilares de porcelana.



Por isso, na pressa de evitar qualquer derramamento de sangue futuro, danos materiais e possíveis vítimas entre os deputados, eu me quero dirigir aos defensores da língua russa e os pedir um pequeno favor.



Senhores, camaradas, peço vos, não há necessidade de me defender.



Eu, russófono até as tantas, morador da Ucrânia do Leste, liberto vos dessa missão gloriosa, parem. Vos sois mal informados, sois equivocados. Palavra de honra, ninguém me proíbe de falar russo. Eu não sou espião, nem o desertor da Galiza. Sou o maior natural de Donetsk, do que eu próprio gostaria de ser. Em Donbass nasceram os meus avôs e as minhas avós, na minha família nunca ninguém falava ucraniano, mas eu quero lá mandar as vossas iniciativas linguísticas cá para um sítio, pois vocês são vigaristas e mentirosos.



Eu não preciso a vossa defesa, pois o maior mal da Ucrânia, do qual eu gostaria de me defender, são vocês próprios. A luta contra a ucrainização em Donetsk, onde é impossível encontrar um letreiro em ucraniano, onde a língua ucraniana nas ruas é usada menos do que árabe, pode ser conduzida ou pelos cretinos absolutos ou pelos paranoicos irremediáveis. De uns e de outros, na minha convicção profunda, é necessário manter a distância. E muito menos, nem uns, nem outros, não teriam o meu aval para me defender no parlamento, por isso vos peço, não defender mais os meus direitos linguísticos.



Juro, ninguém me oprime e não desaloja da Ucrânia. Sem problemas eu compreendo a língua ucraniana, ao mesmo tempo tenho o acesso livre à literatura, música e produção vídeo em língua russa. Por vezes, tenho a vergonha do meu país, mas isso nada tem a ver com as línguas.



Passo a vergonha, quando leio na imprensa estrangeira sobe a corrupção e estupidez dos burocratas ucranianos. Passo a vergonha quando vejo na TV o presidente que cumpriu dois termos prisionais. Passo a vergonha quando vejo nos jornais a cara pacóvia do Vadim Kolesnichenko. Me incomoda a qualidade vergonhosa dos serviços nas instituições estatais, a inflação e a miséria de infraestrutura das cidades ucranianas. Fico bastante incomodado com a herança soviética nos nomes das ruas, estão fora da moda, e eu não quero ver este lixo diariamente, pela mesma razão do que vocês não vestem os casacos de tweed. E se vocês ficam tão preocupados com o meu conforto, façam alguma coisa em relação a tudo isso, mas deixem em paz as questões linguísticas.



Acreditem, eu, cidadão ucraniano falante da língua russa, absolutamente não estou preocupado com a existência na Ucrânia da língua ucraniana. Eu, cidadão da Ucrânia falante da língua russa, estou muito preocupado com as atividades provocatórias do Partido das Regiões. Eu vos peço, vão para o diabo com as vossas camisas rasgadas. Nos, aqui em Donbass, podemos mugir na língua das vacas, apenas para que vocês desaparecessem do parlamento e nunca mais nos recordassem da vossa existência.



Fonte

http://infoporn.org.ua/materials/author_column/Ya_ne_nuzhdayus_v_vashey_zashchite/51206



Bónus



Os deputados do Partido das Regiões que representam as regiões ocidentais da Ucrânia estão prontos a fazer a démarche durante a votação do projeto da lei linguístico.


Como explicou o deputado Petro Pisarchuk, ele pessoalmente não votará pela aprovação da lei. “Considero a aprovação desta lei como um erro político e por isso não a votarei favoravelmente”, disse Pisarchuk, que planeia concorrer nas próximas legislativas numa circunscrição majoritária (listas não partidárias), na região de Lviv, escreve Comments.ua"

Quarta-feira, Maio 30, 2012

O medo da Ucrânia “racista” é xenófobo





 Texto traduzido e enviado: 

"No momento em que vivemos uma nova campanha de demonização da Ucrânia e dos ucranianos, proponho um olhar britânico independente sobre a raiz do medo que o Ocidente, supostamente esclarecido, sente em relação da “bárbara” Europa Central e do Leste.



por: Brendan O'Neill *



A ironia da campanha para boicotar o campeonato de futebol Euro-2012 na Ucrânia é tão enorme, que é difícil de descrever. Aqui temos um lobby que se apresenta como antirracista, existente apenas para proteger os jogadores de futebol e os fãs ingleses de serem abusados racialmente na Ucrânia, simultaneamente descreve a nação inteira do Leste Europeu como um burgo estranho de atitudes retrógradas. Aqui está um movimento que franze a testa publicamente contra as expressões de racismo, tratando a Ucrânia de uma maneira semelhante aos colonialistas vitorianos chegados ao interior africano e olhando com espanto aos nativos que se comunicam nas suas estranhas línguas locais. A campanha de boicote confirma que o moderno antirracismo é, na ironia das ironias, é mais sobre expressar a sua superioridade sobre a gente não educada do que assegurar a verdadeira igualdade.



Sob a bandeira do “antirracismo”, algumas declarações surpreendentemente radicais estão sendo feitas sobre a Ucrânia por parte daqueles que acham que os fãs de futebol devem ficar longe da Euro-2012 que acontecerá (na Ucrânia) no mês que vem. Aparentemente, o racismo é um “problema endêmico social” na Ucrânia, um país “notório pelos seus jovens extremistas”, diz o jornal The Sun. Se você acredita no The Sun, os britânicos decentes podem em breve ser obrigados a refazer a Segunda Guerra Mundial nos estádios na Ucrânia – aparentemente os “neonazis paramilitares” treinam os “bandidos em artes marciais, uso de facas, espingardas e pistolas” a fim de “criar o caos” durante o Euro-2012. O artigo do The Sun é acompanhado por uma foto de quatro homens ucranianos de aparência triste, na floresta, usando os uniformes pseudomilitares. Quatro putos não fazem o Quarto Reich.



Quando a família do jogador inglês negro, Theo Walcott, disse que não ia assistir Euro-2012, porque temia o ataque racista, a imprensa entrou em frenesim anti – ucraniano. Como qualquer outro país no mundo, a Ucrânia, sem dúvida, tem alguns racistas desagradáveis, mas a imprensa britânica continuamente descreve toda a nação como uma fossa de atitudes xenófobas. “Bandos nazis estão a espera dos torcedores ingleses”, diz outro jornal histericamente, dizendo-nos, mais uma vez, que o racismo é “endêmico”" na Ucrânia. O Foreign Office emitiu uma declaração que normalmente só é feita em relação dos países não europeus, aconselhando aos viajantes de “descendência asiática ou afro-caribenha” de tomar “os cuidados extra”. O ex-jogador do Arsenal, Sol Campbell, levou este medo da estranha Ucrânia à sua conclusão lógica, quando advertiu os fãs ingleses a não irem à Euro-2012, porque “você pode acabar voltando em um caixão”. Ele diz que à Ucrânia nunca deveria ter sido concedido Euro-2012, em primeiro lugar, porque se você for um país racista, “você não merece esses torneios de prestígio”.



Resumindo, os torneios só devem ser realizados apenas nos países civilizados, talvez aqui na Inglaterra, em vez de nos territórios da antiga União Soviética, onde as pessoas são estúpidas e preconceituosas e que estão à distância de uma saudação nazi para recriar o fascismo. A imprensa nos diz que alguns fãs de futebol ucraniano olham aos jogadores negros como “selvagens”, e eu tenho certeza que é verdade. Mas nos nossos fóruns de discussão online, ucranianos são frequentemente referidos por nós como “selvagens”, que vivem em um “país muito atrasado”. O que realmente estamos presenciando na histeria sobre as atitudes da Ucrânia é a expressão de um preconceito contra as estranhas pessoas do Leste, disfarçado de um sentimento antirracista iluminado. Se é estúpido que um pequeno número de seguidores ucranianos do futebol zombe dos negros e asiáticos, é também estúpido para a comunicação social britânica de zombar da Ucrânia inteira. Na verdade, a tentativa de demonstrar os credenciais antirracistas, sendo claramente xenófobos contra os do Leste, supostamente racistas, é a mais estúpida atitude de todas as possíveis.



* Brendan O'Neill é o editor de spiked, um fenômeno online independente, dedicado a elevação dos horizontes da humanidade, recorrendo à guerra de palavras contra a misantropia, pedantismo, preconceito, ludismo, iliberalismo e o irracionalismo em todas as suas formas antigas e modernas.



Fonte:

http://blogs.telegraph.co.uk/news/brendanoneill2/100160992/the-fear-of-racist-ukraine-is-itself-xenophobic/"

Até onde irá a frieza de Moscovo face à situação na Síria?


Todos aqueles que esperavam que a posição de Moscovo face ao regime de Bashar Assad iria sofrer alterações depois do massacre de Houla, apanharam hoje una valentes baldes de água fria. O Kremlin há muito de deixou claro que irá defender Assada até ao extremo.
A Rússia anunciou hoje que está contra a convocação de uma nova reunião do Conselho de Segurança (CS) da ONU sobre a Síria nos tempos mais próximos e contra a aprovação de medidas suplementares de pressão sobre Damasco.
"A declaração do presidente do CS da ONU à imprensa sobre os acontecimentos trágicos em Houla, aprovada e publicada após a reunião extraordinbária do CS da ONU sobre a Síria, foi um sinal suficientemente forte para as partes do confronto sírio e é uma reação suficiente face aos últimos acontecimentos no país", declarou hoje o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Guennadi Gatílov.
"Por isso consideramos que seria precipitado analisar no CS quaisquer medidas novas de ação", frisou o governante russo, ao comentar as declarações de Guido Westerwelle, ministro dos Negócios Estrangeiros alemão.
Antes, reagindo à posição do Presidente francês, François Hollande, Gatilov declarou que a Rússia vai vetar qualquer iniciativa sobre uma intervenção militar estrangeira na Síria, que seja levada ao Conselho de Segurança da ONU. 
Andrei Denissov, outro vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, considerou que declarações sobre a possibilidade de uma ingerência militar externa na Síria são manifestações de emoções políticas.
“Colocar a questão da ingerência externa é mais uma manifestação de emoções políticas do que cálculo, análise e abordagem ponderada. Nestes casos, deve-se perguntar sempre: o que fazer depois?”, declarou ele ao comentar as declarações de François Hollande, que não exluiu a ingerência militar externa na Síria.
“A posição russa não se forma sob a influência de emoções, o que, infelizmente, não evitaram os respeitados parceiros franceses quando da elaboração da sua posição”, frisou.
O que será necessário acontecer na Síria para que Moscovo altere a sua posição? Não sei, pois para os dirigentes russos a vida humana não tem alta cotação. Veja-se o que aconteceu e está a acontecer no Cáucaso do Norte.
O Kremlin não quer perder parceiros e aliados, mas não seria mau pensar bem ao escolhê-los.

Terça-feira, Maio 29, 2012

Cuidado com "tradutores" vigaristas!

    Nos últimos tempos, vários empresários portugueses contactaram-me para ouvir a minha opinião sobre  as potencialidades do mercado russo. Tento ajudar dentro das minhas humildes possibilidades, mas não é disso que pretendo falar.
         Durante estas abordagens, uma das primeiras perguntas que faço é se as empresas portuguesas interessadas em entrar no mercado russo ou atrair turistas russos para Portugal têm página em língua russa. Como se trata de empresas lusas de peso, todos me respondem que sim e aconselham-me a visitá-las. Não imaginam os leitores as verdadeiras aberrações com que deparo. As traduções de português para russo são absolutamente inaceitáveis, de uma qualidade muito baixa, para não dizer pior...
      Podem dizer-me que a culpa é dos empresários portugueses que, para pouparem dinheiro, utilizam o tradutor do google, mas não é verdade. Essas traduções custam milhares de euros e são feitas por agências que dizem "estar acreditadas junto da Embaixada da Rússia em Lisboa". Mas não quero acreditar que a Embaixada da Rússia saiba dessas aberrações.
     Não vou citar nomes de empresas portuguesas, por razões óbvias, mas posso dizer que as falcatruas com traduções do russo para português são mais frequentes no Algarve. Existem aí "agências credenciadas" que recebem quantias que deviam ser pagas por traduções como "Guerra e Paz" de Tolstoi ou "Crime e Castigo" de Dostoevski, mas o produto final fica muito abaixo de qualquer expectativa, é uma valente porcaria que só não faz corar pessoas desonestas.
     Por vezes, fico com a impressão que essas "agências acreditadas de tradução" têm por objectivo desacreditar e desprestigiar as empresas portuguesas que recorrem aos seus ofícios.
      Alguns leitores podem pensar que este texto se pode dever ao facto de eu andar à procura de mais trabalho, mas quero desde já deixar claro que não entro na área das traduções de português para russo, pois a língua russa não é a minha língua pátria. Essa tarefa deixo aos bons tradutores russos.
       Sei que a representação da AICEP na Rússia dá apoio aos empresários portugueses neste campo, aconselhando bons tradutores. Por isso, antes de entregarem a imagem das vossas empresas nas mãos de "agências credenciadas", consultem os conhecedores da matéria. Desse modo, os potenciais clientes russos não perderão toda a vontade de fazer qualquer negócio ou férias no nosso país depois de lerem as primeiras linhas das "traduções credenciadas".
           

Segunda-feira, Maio 28, 2012

As memórias de um carrasco


"A editora polaca “Ośrodеk Karta” publicou em 2010 o livro das memórias do Stefan Dąmbski chamado “Egzekutor” (O Carrasco). O seu autor nasceu em Lviv, em 1942 juntou-se à Armia Krajowa (AK), pertencendo ao Direcção de Sabotagem (Kierownictwo dywersjami), que se especializava em assassinatos dos alemães e dos colaboracionistas polacos. Após o fim da II G. M., AK começou assassinar os activistas comunistas e os ucranianos étnicos. Os ucranianos eram exterminados pela guerrilha polaca única e exclusivamente por serem ucranianos, sem nenhuma culpa adicional...
O livro provocou a indignação no país, pois na Polônia actual a brutalidade e a violência da Armia Krajowa fazem parte do tabu largamente aceite pela sociedade polaca.
O autor reconhece que gostou do papel do carrasco que desempenhou durante a guerra: “Eu não precisava de ir à escola, que não gostava desde novo, não precisava de trabalhar fisicamente, não tinha nenhumas obrigações, não me preocupava com aquilo que amanha terei na cozinha”. Resumindo a sua história, Dąmbski escreve: “Os meus sonhos se tornaram a realidade: eu me tornei a pessoa sem duvidas sobre a minha própria justeza. Era pior que o animal mais vil. Me encontrava no mais profundo lamaçal humano. Mas eu era um típico combatente da AK. Era um herói que ostentava no peito a Cruz dos Combatentes...” Stefan Dąmbski se suicidou no dia 13 de Janeiro de 1993 em Miami nos EUA...
Contra os ucranianos
[...] O meu colega “Twardy” [Wilhel­m Ćwiokowy] que possuía o segundo pseudónimo de “Wiluśko” [...] depois da minha chegada à Laskówka foi designado pelo próprio “Drażę” juntamente comigo, com “Sło­wik” e “Luis”, ao Departamento de Castigos (Oddział Karny), criado para o extermínio dos ucranianos. Era o nosso trabalho regular. Para os trabalhos grandes também eram chamados “Szofer” e “Muszka”.
[...] Nós escolhíamos as aldeias onde a predominava a população polaca, porque eles nos ajudavam exterminar os ucranianos.
Não houve nestas acções nenhuma piedade, nenhumas desculpas. Eu não podia reclamar com os meus camaradas de armas. Apenas “Twardy” que tinha contas pessoais com ucranianos se superava a si mesmo.
Quando entravamos nas casas dos ucranianos, o nosso “Wiluśko” literalmente se tornava raivoso. Com a estatura do gorila bem desenvolvido quando ele via os ucranianos, os seus olhos saíam das órbitas, a sua saliva escorria da boca aberta e ele começava fazer a forte impressão de que era louco.
Eu e “Louis”ficávamos nas portas e janelas, mas o semi-lúcido “Twardy”, antigo faqueiro de Lviv, corria aos ucranianos petrificados e os cortava em pedaços. Com mestria sem precedentes, ele abria as barrigas ou cortava as gargantas, a sangue jorrava às paredes. Incrivelmente forte, muitas vezes em vez da faca usava os bancos da madeira rachando os crânios (das vítimas) como as cabeças de papoilas.
Uma vez reunindo três famílias ucranianas em uma única casa “Twardy” decidiu os matar na“diversão”. Colocou um chapéu, tocou o violino e obrigou os ucranianos, divididos em quatro grupos, a cantar “Aqui as colinas, lá os vales, na bunda ficará a Ucrânia...” Sob a ameaça da minha pistola os pobres cantavam. Foi a sua última canção. Após o concerto “Twardy” teve tanta vontade de “trabalhar”, que eu e “Luis” tínhamos fugir para a varanda, para que ele não nos matasse por engano [...]
A polícia civil (da Polónia socialista) nós ajudava a exterminar os ucranianos. Tivemos uma unidade “nossa” situada nos arredores de Dynow mas margens do rio Sjan, que após a prisão dos ucranianos suspeitos de incendiar as aldeias polacas, os entregava à nós.
Em vez de os transportar aos tribunais ou até ao comandante da cidade, éramos avisados através dos informantes que o ucraniano tal e tal nos espera na polícia e pode ser levado. Então este era o trabalho apenas para mim e para “Twardy”.
Chegávamos lá principalmente à noite e em seguida se dirigíamos às margens do rio. Colocávamos a pessoa no local alto e para ter a certeza o furávamos com as balas de metralhadora, assim já o cadáver caia na água [...] Estes corpos apareciam à superfície após uma semana. Flutuando rio abaixo, inchados, como se estivessem grávidos, azuis, cheios de buracos [...]
[...] Um dia, caminhando pela vila com “Twardy” e “Luis”, entramos na casa onde viviam três moças. Durante a conversa, ficou claro que uma deles era ucraniana. Como ela era jovem e muito bonita, “Twardy” decidiu que a melhor punição pela sua origem ucraniana seria o seu estupro por nós três.
Eu estava desagradavelmente surpreendido com esta ideia, mas fez uma cara de pedra, porque não há nada pior para um garoto de 19 anos de idade do que a confessar que tem “o medo do rabo”. Ninguém protestou. Mulher foi levado para um quarto separado, o primeiro, na qualidade de iniciador, ficou com ela o corporal “Twardy”. Saiu após dez minutos todo suado e “Luis” tomou o seu lugar. Finalmente chegou a minha vez.
Entrando no quarto, encontrei a pobre garota deitada nua na cama a se sacudir histericamente. Senti-me estupidamente, comecei me arrepender e não sabia o que fazer. Finalmente, eu me sentei na beira da cama e comecei acariciar delicadamente os seus cabelos longos e pretos como veludo. Eu comecei pedir que ela pare de chorar, e até tentei convencê-la do que tudo ainda podia acabar bem, embora no fundo do coração conhecendo bem “Twardy” sabia que fim ela terá. No entanto, eu estava muito triste.
Ela era tão linda e ainda tão jovem, provavelmente não prejudicou ninguém e tinha o mesmo direito à vida, tal como cada um de nós. O único azar é nascer ucraniana – por isso o seu destino já estava determinado.
Eu estava demasiadamente preocupado com a minha carreira “insurgente” e com meu“patriotismo” para logo sair e dizer ao “Twardy” directamente nos olhos que nós fizemos uma grande bestialidade e que a moça deve ser poupada. Eu tinha o mesmo patente (militar) que “Twardy”, por isso não se tratava de possibilidade de lhe dar uma ordem.
[...] Eu não a estuprei em terceiro, mas na realidade, principalmente porque o estupro não me excitava emocionante e o choro histérico da menina me deprimia bastante. Mexi o meu cabelo, limpando o “suor seco” da testa, entrei no quarto onde os colegas se divertiam com duas polacas.
Confirmei que tudo foi feito e estou a entregar à menina ao critério do “Twardy”, porém com a ligeira dica para poupar a sua vida. “Twardy”, embora olhou para mim como para um louco, de repente, concordou facilmente, mas disse: “Você,“Zsbik” sempre tem as ideias idiotas.”

No entanto, o caso não acabou com estupro, embora “Twardy” poupou a sua vida, mas antes ele puxou a menina para a cozinha, aqueceu um ferro até este ficar vermelho, o colocou no corpo da menina, até que apareceram as listras vermelhas. E neste estado, completamente nua, jogou a pobre moça lá fora. Salvando a vida, com a neve que chegava até os joelhos, no frio de rachar, ela correu aos vizinhos.
Depois do caso com a garota eu mais uma vez fiquei convencido do de que “Twardy” tem um faro excepcional para com os ucranianos. Ele reconheceu imediatamente a jovem, embora ela vivia com duas polacas. Mais uma vez fiquei convencido do seu talento em uma ocasião que aconteceu dois dias depois.
Quando voltávamos à noite para nossa casa em Laskówka, [“Twardy”] agarrou um estranho que caminhava calmamente e o perguntou se ele por acaso não era ucraniano. Embora ele tinha uma pronúncia (da língua polaca) algo estranha, disse com absoluta confiança: “Eu, meus senhores, sou grego – católico, eu não sou ucraniano”.
Twardy”, no entanto, pediu-me para lhe apontar a pistola, ele pegou o cinto da calça e começou a espancá-lo impiedosamente no rosto. Primeiramente, o pobre homem protestou e gritou que ordens são estes, porque nós o atacamos, quando ele não era ucraniano, mas apenas grego – católico. Mas “Twardy” batia-lhe cada vez mais fortemente.
A dor de resto era insuportável, até que o transeunte concordou com a gente em tudo: “Sim, eu sou ucraniano...” Neste ponto, o interrogatório terminou e o veredicto foi executado pelo “Twardy” que com um movimento habitual cortou garganta ao condenado [...]
Fonte:
Stefan Dąmbski, Egzekutor: Na Ukraińców (http://forum.karta.org.pl/?page_id=373)
Blogueiro
No momento em que os autores intelectualmente desonestos defendem as teses da culpa “exclusivamente ucraniana” da vilência na Volyn no fim da II G.M., não podemos esquecer o caso da aldeia ucraniana de Pawlokoma (actual território da Polónia) onde nos dias 1 – 3 de Março de 1945 a unidade da Armia Krajowa assassinou 365 ucranianos (apenas os rapazes até 5 anos e as meninas até 7 anos eram poupados). O massacre, alegadamente, aconteceu em retaliação contra o desaparecimento de 8 (ou 11) polacos, levados, alegadamente, pela unidade do Exército Insurgente Ucraniano (UPA). Embora o historiador contemporâneo polaco Eugeniusz Misiło argumenta que os polacos foram raptados pelo grupo de extermínio do NKVDsoviético, exactamente para provocar uma série de ataques retaliatórios entre os polacos e ucranianos. Em 2006, quando na aldeia de Pawlokoma finalmente foi construído o monumento em memória dos ucranianos assassinados, o texto da pedra memorial não mencionava o facto de as vítimas eram ucranianas e dizia que eles“morreram tragicamente”, sem nenhuma menção dos autores, ou motivo do extermínio colectivo."

Domingo, Maio 27, 2012

O genocídio cometido pelos nacionalistas ucranianos sobre a população polaca durante a Segunda Guerra Mundial


Texto traduzido e enviado pelo leitor Pippo:

"por Ryszard Szawlowski

Este artigo foi publicado originalmente na obra “Ludobojstwo dokonane przez nacjonalistow ukrainskich nd ludnosci polskiej Wolynia, 1939-1945” por Wladyslaw Siemaszko e Ewa Siemaszko (Varsóvia, 2000).
 No entanto, o seu conteúdo   também se aplica às outras voivodias da Polónia onde os nacionalistas ucranianos deixaram a sua marca assassina durante e após a 2 ª Guerra Mundial. O artigo é único e universal ao mesmo tempo para sua discussão de vários aspectos de uma atrocidade cometida pelo homem contra o homem chamada de GENOCÍDIO.


A obra monumental de Wladyslaw e Ewa Siemaszko (pai e filha) sobre o genocídio ucraniano na Volhynia durante a Segunda Guerra Mundial é como o tomo de alguns volumosos, ainda inexistente trabalho sobre a totalidade do genocídio cometido contra a população polaca durante as
 ano. Polacos foram submetidos a genocídio - em todas as suas formas e em diferentes escalas pelos alemães, os soviéticos, e os ucranianos. O genocídio alemão e soviético é relativamente bem conhecido e documentado. O genocídio perpetrado pelos ucranianos, por outro lado, é muito mais desconhecido até aos dias de hoje. Ele não se limitou ao território da Volhynia (e uma parte do sul da Polesie), mas foi alargado a toda a Galícia oriental e até mesmo parte do sudeste da Polónia, bem dentro das atuais fronteiras pós-Yalta. Mas é preciso lembrar que as terras de Volhynia foram palco da primeira manifestação de genocídio pelos ucranianos contra os polacos, resultando num número muito superior de vítimas de assassinato, como  foi o caso nos territórios dos antigos ducados [voivodia] do Leste da Galícia (os ducados de Tarnopol e Stanislawow e parte oriental da voivodia de Lwow). Por esta razão, os autores optaram correctamente por se concentrarem na Volhynia.

O conceito e o termo linguístico de genocídio, foram criados no início dos anos quarenta pelo advogado polaco Rafal (Rafael) Lemkin.
 Nascido em 1901, Lemkin passou os anos trinta como procurador-geral adjunto do Tribunal da Comarca de Brzezany (voivodia de Tarnopol), seguido pela ocupação de um posto de trabalho equivalente em Varsóvia, tornando-se mais tarde um advogado e professor na Universidade Livre Polaca. Já antes da guerra, ele estava interessado na questão do genocídio, denominado por ele na época como "atos de barbárie". Ele conseguiu chegar aos Estados Unidos em 1941 e lá publicou seu trabalho inovador - Domínio do Eixo na Europa ocupada - em 1944. Ele também foi instrumental na aprovação do tratado internacional fundamental em matéria de genocídio - A Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 9 de dezembro de 1948. Devido a isso, ele foi por duas vezes nomeado para o Prémio Nobel da Paz. As disposições da Convenção, que foi ratificada pela grande maioria dos Estados-nação, devem ser encaradas hoje como sendo “ius cogens”, em outras palavras, como algo que não pode ser anulado (em oposição ao “ius dispositivum”). Ao mesmo tempo, o crime de genocídio está escrito na maioria dos códigos penais nacionais.

De acordo com o artigo II da Convenção: ...genocídio significa qualquer dos seguintes actos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, tais como ..., usando vários métodos: o primeiro sendo, é claro, "matar membros do grupo "(art.II, item a)).
 Isto é seguido por itens de b)  a  e):
b) causando sérios danos físicos ou mentais a membros do grupo;
c) a submissão deliberada do grupo a condições de vida calculadas para trazer a sua destruição física no todo ou em parte;
d) medidas destinadas a impedir nascimentos no seio do grupo;
e) transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo.

Deve ser claramente dito aqui, que o genocídio ucraniano contra os polacos é caracterizada por várias circunstâncias agravantes.

Em primeiro lugar, abrangeu, em princípio, o extermínio físico (assassinato) o mais rápido possível, no local, de todos os polacos que podessem ser alcançados, independentemente da sua idade ou sexo. A este respeito, só é comparável ao genocídio alemão contra os judeus - e não o seu genocídio contra os polacos.
 A respeito dos judeus deve-se acrescentar que, no seu extermínio nas voivodias a sudeste da fronteira da República da Polónia, os ucranianos não só tomaram uma parte muito grande em todos os actos de genocídio, quer em conjunto com os alemães quer de forma independente sob supervisão alemã , mas também foram autores de actos semelhantes por conta própria. Isso já acontecera no verão de 1941, quando os exércitos alemães entraram no então território sob ocupação soviética. Mais tarde, depois de terem liquidado os guetos juntamente com os alemães, o que ocorreu principalmente após a segunda metade de 1942, os ucranianos continuaram a capturar e assassinar individualmente  os judeus que se haviam escondido. Todas essas "acções", deve ser tido em mente, estavam ligadas a pilhagem em grande escala de bens das vítimas.

Em segundo lugar, o genocídio ucraniano foi em geral caracterizado por actos de tortura de barbárie extrema.
 Estes actos lembravam as tradições dos cossacos dos séculos XVII e XVIII (a Revolta de Khmelnitsky, e o levantamento de 1768 chamado "kolistchyzna"), com os métodos em uso naquela época - cortar polacos e judeus à machadada, lançar vítimas feridas em poços , serrar pessoas vivas, ou arrastando-as a cavalo, tirar olhos, cortes de línguas, entre outras atrocidades. Esses actos de barbárie não eram, em regra, utilizados pelos alemães ou mesmo os soviéticos. Claro, houve frenquentes espancamentos e crueldades durante os interrogatórios ou em campos de concentração (onde estas exacções eram acompanhadas por fome e trabalhos forçados, e por vezes por criminosas experiências médicas em campos alemães, etc), mas não era usual que os assassinatos ocorridos nesses locais fossem combinados com o corte de partes do corpo, serrando-os, rasgando-se-lhes o estômago, estripando-os, e assim por diante.

Acrescentemos que à escala europeia, o genocídio cometido pelos ucranianos sobre os polacos é só comparável, em certa medida, ao genocídio da Croácia (pelo Ustashi de Ante Pavelic) contra os sérvios durante
 Segunda Guerra Mundial a partir da primavera de 1941. No entanto, o que também foi praticado lá em grande escala foram expulsões em massa, ou "conversão" ao catolicismo, o que significava que a grande maioria dos sérvios, que estavam dentro dos limites do estado croata formado em abril de 1941 (com a aceitação porparte da Alemanha e Itália) poderia sobreviver. Mas no caso do genocídio cometido pelos ucranianos, a prática era assassinar absolutamente todos os polacos que caíram nas suas mãos. O facto é que, apesar das fabricações dos ucranianos, não houve um "apelo para sair" da Volhynia dirigida aos polacos, ou simples "deportações". Isso é totalmente desmentida pelo trabalho dos Siemaszkos '. Muito pelo contrário, era muito frequente o caso em que polacos que queriam fugir antes que o genocídio que já estava sendo cometido em distritos vizinhos lhes batesse à porta, eram incentivados a permanecer, com "garantias" de que eles estariam seguros. Ou eles eram submetidos a ameaças de que sua fuga seria considerado como traição contra os ucranianos. Tudo isso teve como objetivo garantir que todos iriam ser mortos exactamente onde eles estavam. Este aspecto será discutido mais tarde.

Em terceiro lugar, os autores dos massacres cometidos por alemães e soviéticos eram diferentes.
 O genocídio alemão foi realizado inteiramente por formações criminosas "especializadas" em uniforme, em particular o chamado Einsatzgruppen der Sicherheitspolizei ou Sicherheitsdienst [SD], e os soviéticos utilizaram tropas do NKVD. Não foi assim com o genocídio ucraniano. Na Ucrânia, os crimes foram cometidos por dois elementos principais. Dominando a zona estavam o Exército Insurgente Ucraniano de Stepan Bandera e, na Volhynia, as forças concorrentes de Bulba e Melnik, bem como a polícia ucraniana criada pelos alemães na segunda metade de 1941 (que desertou no início de 1943). Mas nas operações principais de genocídio, também participaram milhares e milhares de camponeses ucranianos da zona, incluindo as chamadas Unidade de Auto-Defesa Kushchovy (Samooboronni Kushchovi Viddily), ostensivamente unidades de "auto-defesa" camponesas, que eram de facto usados ​​pelo Exército Insurgente Ucraniano para ajudar no genocídio contra os polacos. Agregados a estes grupos estavam bandos armados com machados, ancinhos, etc, muitas vezes compostas por vizinhos, que formaram uma espécie de leva em massa ucraniana. Como se isso não bastasse, esses bandos eram muitas vezes acompanhado por mulheres ucranianas, jovens e até crianças, que se ocupavam com a pilhagem, fogos postos em grande escala e o extermínio de polacos  que tinham sido feridos mas haviam sobrevivido. Isso ocorreu apesar de, às vezes, haver anos de suposta amizade mútua, ou vínculos de gratidão que existiam para com certos polacos.

É por esta razão que eu iria qualificar o genocídio na Volhynia durante a Segunda Guerra Mundial como um Genocídio claramente cometido pela população ucraniana, e não, por exemplo, como “genocídio cometido pelo Exército Insurgente Ucraniano”, “pelos bandos do Bandera”, “por nacionalistas ucranianos”, e assim por diante.
 Ao contrário do que muitas vezes é reivindicado por Wiktor Poliszczuk nas suas publicações (mais tarde ele será citado favorável no presente artigo), o genocídio na Volhynia - como é documentado pelo trabalho dos Siemaszkos - foi realizado por um amplo espectro de ucranianos daquela área e não só pelos "combatentes" do Exército Insurgente Ucraniano. Como já foi mencionado, dele tomaram parte milhares e milhares de camponeses comuns (muitas vezes forçados a isso pelo Exército Insurgente Ucraniano), incluindo, infelizmente, hordas de mulheres gananciosas, adolescentes e, às vezes, até crianças.

No entanto, deve ficar claro que:
1) Não se está a afirmar que a maioria dos ucranianos da Volhynia participou no genocídio e nos actos que o acompanharam, especialmente tendo em conta que o genocídio contra os polacos foi limitado, em geral, ao campo; no entanto, um segmento significativo dos ucranianos da Volhynia estaveve envolvido nestes acontecimentos. E assim os factos por si só, bem como a exigência de honestidade, requerem, ou pelo menos permitem, que falemos neste caso sobre os ucranianos como tal [como genocidas], assim como o presidente da Alemanha, Roman Herzog, citado mais adiante, não se restringiu a falar apenas dos crimes cometidos pelos nazis, etc, mas falou também dos crimes cometidos pelos alemães “tout court”.
2) Ao mesmo tempo, devemos expressar o nosso maior respeito por aqueles ucranianos que, como é bem atestada por inúmeros exemplos que podem ser encontrados no trabalho dos Siemaszkos ', auxiliaram os polacos, advertindo-os, escondendo-os rapidamente, ou transportado-os para
 as cidades mais próximas. Por causa de terem prestado este tipo de ajuda, os fanáticos do Exército Insurgente da Ucrânia e da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (especialmente o notório Sluzhba Bezpeky OUN) muitas vezes castigaram os seus próprios compatriotas, assassinando-os. Mas toda a ajuda foi, infelizmente, apenas uma gota de água no oceano diante das dezenas de milhares de polacos assassinados naquela época.


Em quarto lugar, menção especial deve ser feita relativamente à postura violentamente criminosa tomada em casos de casamentos mistos polaco-ucranianos. Nestes casos, os assassinos ucranianos frequentemente assassinavam, sempre que possível, famílias inteiras, incluindo as crianças, ou, pelo menos, o parceiro polaco.
 Como se não bastasse, casos houve em que o marido ucraniano (ou mesmo a esposa) foi forçado a matar o parceiro polaco com suas próprias mãos. Tal barbárie nunca foi aplicada em casos semelhantes de casamentos mistos, pelos soviéticos, ou, no caso de casamentos mistos de alemão com judeu, pelos alemães. Entre estes últimos, apesar da erradicação [Ausrottung, no original] quase total dos judeus alemães, a maioria destes casais, embora severamente perseguidos e forçados à fome, conseguiu, no entanto, sobreviver à guerra.

Um exemplo característico disto seria o caso bem conhecido do professor Karl Jaspers, que foi casado com uma judia.
 O casal viveu durante os anos da guerra no estado trágico da Suizidbereitschaft (“prontidão para cometer suicídio”), mas mesmo assim sobreviveu. Ordenar a um homem ou uma mulher alemã que matasse o seu parceiro judeu era impensável.

Em quinto lugar, no caso do genocídios cometidos pelos alemães ou soviéticos contra os polacos, os crimes foram cometidos por uma força de ocupação - enquanto o genocídio cometido pelos ucranianos foi conduzido por ucranianos que eram cidadãos da Polónia, habitantes destas terras durante a II República Polaca, que
 não apresentaram a menor vestígio de lealdade. Mas, deixem-nos acrescentar, quando havia algo a canhar om isso, estes ucranianos continuavam a mencionar facilmente a sua cidadania polaca. Em muitos casos, usando documentos de identificação roubados de polacos assassinados, e usando os seus nomes, estes ucranianos foram "repatriados" para a Polónia ou mesmo para fora, para o Ocidente.

Em sexto lugar, o genocídio cometido pelos ucranianos foi geralmente acompanhado por uma bárbara política de terra queimada.
 Depois da sua propriedade e gado serem roubadas, as casas e outros edifícios dos polacos assassinados eram normalmente queimadas (por vezes até mesmo os seus pomares foram destruídos), e edifícios públicos, por exemplo escolas, também foram muitas vezes destruídas. Como parte disto, houve também a destruição total de um grande número de casas de campo históricas polacos, com seus edifícios agrícolas e jardins, bem como igrejas católicas e capelas. Esta forma de barbárie adicional não foi geralmente demonstrada quer por alemães, quer pelos soviéticos.

Em sétimo e último lugar , os alemães há muito tempo que admitiram os seus crimes, e pediram desculpas por eles publicamente.
 Para dar um exemplo, o presidente da República Federal da Alemanha, Roman Herzog, afirmou claramente no seu discurso em Varsóvia, em 01 de agosto de 1994 na cerimónia do 50 º aniversário do Levantamento de Varsóvia: ... “Eu curvo-me diante dos combatentes do Levantamento de Varsóvia, e diante de todas as vítimas de guerra polacas. Peço perdão pelo que os alemães fizeram.” .... O presidente russo, Boris Yeltsin também fez alguns gestos, como quando ele beijou o Monsenhor Zdzislaw Peszkowski na mão e sussurrou as palavras "Eu peço desculpas" por ocasião da homenagem às vítimas de Katyn em 25 de agosto de 1993, no Cemitério Powazki em Varsóvia. Naquela noite, toda a Polónia o viu na televisão. De igual modo, a imprensa e a literatura na Alemanha, e, nos últimos dez anos, na Rússia, discutem abertamente o genocídio cometido contra os polacos. O comportamento dos ucranianos, por outro lado, tem sido, em regra, completamente diferente - eles recorreram à negação, às mentiras e ao silêncio sem rodeios. Este aspecto será discutido abaixo.

Para resumir esta parte - o genocídio cometidos contra os polacos durante a Segunda Guerra Mundial pelos ucranianos superou o genocídio feitos por alemães e soviéticos em certos aspectos; ele foi marcado pela crueldade e barbárie extremas, e, após a sua conclusão, até os dias actuais, tem sido
 negado ou, na melhor das hipóteses, apresentado com lembretes de que tudo é "relativo" ou outros subterfúgios tais.



A antiga voivodia da Volhynia, que foi palco do genocídio cometido pelos ucraniano abordado pelos autores, era uma área que habitada antes de 1940 por cerca de 350 mil polacos, que formavam apenas 17 por cento da população.
 Esse percentagem foi reduzida por via das deportações em massa durante os anos 1940-1941 pelos soviéticos. A perda total de vidas entre os polacos às mãos dos ucranianos é estimada pelos autores entre 50 e 60 mil pessoas. Mas deve-se ressaltar, mais uma vez que, independentemente do genocídio contra os polacos, os ucranianos em todo o lado participaram, seja com os alemães ou sozinhos, no genocídio cometido contra cerca de 200.000 judeus da Volhynia, cidadãos da Polónia. Esta questão também foi levantada no presente livro, embora este assunto muito amplo não seja o seu tema principal.

O trabalho analisa metodicamente os territórios de todas as onze regiões da antiga voivodia da Volhynia - do rio Bug até à fronteira polaco-soviética de 1939.
 Dentro das regiões, é feita menção às comunidades rurais, 103 ao todo, bem como às comunas municipais, e, em seguida, a base fundamental - as cerca de 1720 aldeias, assentamentos, colónias, etc, onde foi possível comprovar, na maioria das vezes de maneira incompleta, que o genocídio foi cometido contra os polacos. Além disso, referencia é feita em relação às unidades administrativas (aldeias, colónias, assentamentos, etc), cerca de 1790, que faziam parte de cada município, onde também viveram polacos mas sobre o qual não foi possível obter qualquer informação. No entanto, como o genocídio ucraniano contra os polacos foi perpetrado de forma metódica e global em 1943, em todas as regiões da Volhynia, de leste a oeste, e foi claramente guiada pelos principais líderes da OUN e UPA, não há o menor espaço para ilusões de que os pontos em branco sobre os quais informações não puderam ser recolhidas pudessem ser algum tipo de áreas intocadas. Pelo contrário, deve ser tomado como um dado adquirido que, na maioria desses lugares, os polacos que não conseguiram escapar ou exercer uma resistência eficaz foram submetidos ao genocídio tal como os seus compatriotas em locais onde os actos de genocídio poderan ser documentados. E assim, os autores estavam correctos em dar estimativas cautelosas para essas áreas. Acrescentemos que não evitamram a questão delicada das raras represálias polacas contra os autores do genocídio na Ucrânia, quando os parentes emocionalmente devastados das vítimas brutalmente torturadas atacaram aldeias ucranianas. Como Tadeusz Piotrowski diz justamente sobre este assunto: ... “Na verdade, seria surpreendente se não houvessem essas medidas não retaliação”. ...E Wiktor Poliszczuk afirma: ... “embora houvesse actos de retaliação por parte dos polacos ..., o seu alcance era uma gota de água no oceano, em comparação com os assassinatos em massa de polacos que o OUN e UPA cometiam.” ...

Os autores fizeram uso de uma gama impressionante de fontes.
 A lista inclui relatos escritos por testemunhas dos crimes (quase 1700), os arquivos de investigações dos crimes cometidos pelos nacionalistas ucranianos, decisões judiciais em acções para declarar as suas vítimas como falecidas, e entradas de registos de óbitos de paróquias  da Igreja Católica Romana. Vai ao ponto de incluir os documentos secretos do Governo Polaco na clandestinidade, abrangendo o período da ocupação alemã durante 1941-1944, documentos da União Soviética e dos nacionalistas ucranianos, e muito numerosas memórias e estudos escritos, incluindo os de ucranianos. Há também cerca de 80 relatos de testemunhas do genocídio e outros documentos, que estão incluídos, principalmente na íntegra, nos anexos e são de grande importância histórica. Tomado como um todo, este trabalho define um padrão que deve ser seguido por outras obras sobre o genocídio contra os polacos, no leste da Galiza, que também necessitam urgentemente de documentação.



Vejamos como é que este genocídio extremamente bárbaro dos ucranianos contra os polacos foi tratado nas declarações oficiais ucranias e polaco-ucranianas, e nos escritos de ucranianos e polacos.

A. Nós mencionamos as declarações feitas pelos presidentes da Alemanha e da Rússia relativamente aos genocídios de que os seus conterrâneos eram culpados.
 Os ucranianos ainda não fizeram qualquer gesto semelhante. A muito divulgada "declaração conjunta dos presidentes da Polónia e Ucrânia sobre o acordo de reconciliação", realizada em Kiev em 21 de maio de 1997, declara no seu preâmbulo, que ... “o futuro das relações entre a Polónia e a Ucrânia deve ser construída sobre a verdade e a justiça”. ... Ele menciona apenas em metade de uma frase os eventos em Volhynia: ... “não devemos esquecer o sangue polaco derramado na Volhynia, especialmente durante os anos 1942-1943” ... . Ele não faz nenhuma menção semelhante, à perda de vidas polacas no leste da Galícia, enquanto a sua referência à "Operação Vístula" de 1947 parece justapor situações que são completamente diferentes. Nessa operação, ditada por um estado de exigência nacional (a necessidade de privar a UPA de sua base logística, inteiramente suportada no seu dia-a-dia pela população local ucraniana, o que poderia garantir que a UPA seria fornecida durante vários anos com alojamentos, alimentos e recrutas), não havia elementos de genocídio. Estes camponeses ucranianos foram realojados em fazendas que estavam disponíveis nos novos territórios ex-alemães que a Polónia havia obtido com o Acordo de Potsdam de 1945, fazendas aliás muito melhores do que as que haviam deixado para trás. Resumindo, a declaração de 1997 não resolve a questão fundamental do reconhecimento por parte dos ucranianos de que o genocídio foi cometido, e não contém qualquer expressão de desculpas para com os polacos.

Quanto à postura adoptada pelos níveis superiores do clero da Igreja greco-católica, que tem tomado, nos dias de hoje, o nome bastante pretensioso e etnocêntrico de Igreja Bizantino-Ucraniana, basta citar o clérigo Stefan Dziubina de Przemysl.
 Na sua homilia na celebração em 11 de maio de 1997 em Jaworzno, ele falou do Exército Insurgente Ucraniano como "auto-defesa ucraniana contra os polacos", que, nas suas palavras, ... “cometeram assassinatos e incendiaram aldeias ucranianas na Volhynia, cedendo à agitação nazi, em face do qual os ucranianos se armaram e começaram a atacar tanto os alemães como os polacos”. .... Essa afirmação, que não poderia ter sido feito sem a aprovação do chefe da Igreja greco-católica na Polónia, foi feita na presença de, entre outros, os presidentes da Polónia e da Ucrânia. Este mesmo clérigo deu um sermão em 7 de julho de 2000, por ocasião do enterro de membros da UPA em Pikulice (mortos em ação em 1946), nos arredores de Przemysl, o qual era completamente mentiroso, calunioso e inflamatório. A opinião pública polaca foi despertada, mas nada foi feito. Como já escrevemos a este respeito há alguns anos atrás: ... “Consideramos que a falsificação pública de fundamentais verdades históricas, impregnadas de implicações morais, devem ser punidas no nosso país, assim como a chamada Auschwitzluege [Negação de Auschwitz] é punível de acordo com o código penal da República Federal da Alemanha.” ...

De entre os leigos polaco-ucranianos, um certo Roman Drozd veio a lume nos últimos anos com uma publicação sobre a UPA, que consiste principalmente em documentos "cuidadosamente selecionados" e introduções breves.
 O trabalho é extremamente falso, com passagens como: ...”O conflito polaco-ucraniano em 1942/43 transformou-se numa verdadeira guerra partizan polaca-ucraniana [!], Durando até 1947, deixou um rasto de dezenas de milhares de vítimas em ambos os lados.” ... Na minha opinião, os números de baixas sofridas por cada lado será muito aproximado. Nenhum outro ucraniano avançou até agora com tão suprema uma fabricação. É UPA-Luege (negação da UPA) por excelência.

Mais adiante, Drozd tentata distorcer os factos da seguinte forma: ...
 “É claro que é difícil, aqui, indicar qual foi a parte atacante, e qual que estava na defesa, dado que a um ataque se seguia outra ataque um assassinato era seguido por outro assassinato, um saque por mais saques, incêndios por mais fogo posto, e tudo isso se justifica por o argumento de que era uma operação de retaliação. Só pode ser dado como certo que o lado atacante era aquele cujas forças eram mais fortes, em qualquer área individual” ... . Os factos reais são diferentes. Como Drozd deve também estar ciente, a minoria polaca no campo em Volhynia era a mais fraca força em quase toda a parte – pelo que, de acordo com as suas palavras, devem ter sido os ucranianos que eram os atacantes. Mas mais do que isso, os polacos estavam totalmente despreparados para o ataque quando a UPA lançou os seus actos de genocídio. Isto é totalmente documentado na obra dos Siemaszko. Somente actos muito limitadas de auto-defesa poderia ter sido organizados, e os polacos poderiam retaliar apenas alguns poucos casos.

B. Quanto aos escritos históricos ucranianos, estes são, na grande maioria, firmes em não admitir que qualquer genocídio tenha sido cometido contra os polacos pelos ucranianos na Segunda Guerra Mundial.
 Este não é o caso com os alemães e com os russos. A falsificação total neste campo foi colocada em movimento imediatamente após a Segunda Guerra Mundial por Mykola Lebed, que era o principal instigador do genocídio ucraniano contra os polacos (como ele exerceu as responsabilidades de Stepan Bandera, encarcerados à época pelos alemães sob condições excepcionalmente boas no campo de concentração de Sachsenhausen). Ele escreveu um livro sobre a UPA, que foi publicado já em 1946. Lebed dá conta que foi um grande golpe para os alemães quando toda a força policial ucraniana, e os chamados “Schutzmen ucranianos”, uniram-se às forças da UPA no início de 1943 em toda a Volhynia e Polesia. Claro, ele esquece-se de mencionar que foi essa mesma polícia que levou a cabo uma grande parte no genocídio contra os judeus da Volhynia, ou que havia conseguido matar um grande número de polacos antes da deserção. Ele continou dizendo que:

...
 “Os alemães sugeriram aos polacos que eles formassem uma força de polícia polaca em seu lugar. Entre a população polaca de Volhynia havia muitos, que tinha um ódio cego, historicamente, para com o povo ucraniano, e que passou a servir os alemães.
... A partir dessas unidades polacas, os alemães formaram destacamentos policiais punitivos separados, que se distinguiram por cometer os maiores e mais brutais assassinatos e saques generalizados contra a população ucraniana.
... O histórico ódio polaco para com a nação ucraniana foi colhendo as suas vítimas.
... Instado pelos governos anteriores da Polónia para colonizar as terras da Ucrânia, e criados no espírito do chauvinismo e do ódio cego para com tudo o que era ucraniano, a população polaca da Volhynia e da Polesia foi mais uma vez com sucesso posta à prova. Também deve ser mencionado que formações partidárias bolcheviques estavam recebendo uma certa quantidade de ajuda e informação a partir de assentamentos polacos sobre o movimento de independência da Ucrânia.Portanto, não é surpreendente que as pessoas tenham perdido a paciência.
... Eles passaram à auto-defesa e pagaram de volta todas as queixas que se acumularam ao longo dos séculos.
... Para evitar actos de agressão anti-polacos espontâneos por parte das massas e evitar conflitos entre os ucranianos e os polacos, ... o Exército Insurgente Ucraniano esforçou-se para atrair os polacos para uma luta unida contra os alemães e os bolcheviques. No entanto, quando esta acção não conseguiu obter nenhum resultado, a UPA deu a ordem à população polaca para deixar as terras ucranianas na Volhynia e na Polesia.
... No verão de 1943, quase toda a Volhynia se encontrava sob o controle da UPA. Os polacos, que haviam recebido a ordem para abandonar o território, tinham geralmente realizado a ordem voluntariamente. A posse da sua propriedade fundiária foi conferida ao povo ucraniano. Isso trouxe um fim à existência dos assentamentos polacos criados depois de 1920, como todos os lugares com o nome de Sienkiewicz, ou algum Ludwik, etc

Vamos revisar, tão brevemente quanto possível, estas fabricações feitas por Lebed.
1) Fazer das " forças da polícia punitiva" polacas as responsáveis ​​pelos " maiores e brutais assassinatos " cometidos, ainda por cima,  mesmo antes do genocídio cometido pelos ucranianos (porque essa é a sequência de eventos apresentados por Lebed), vai totalmente contra as provas encontrado em trabalho como o dos Siemaszkos, e em outras obras sérias polacas.
2) Quanto aos polacos a serem criados num espírito de chauvinismo e ódio cego em relação a "tudo o que era ucraniano", a situação era completamente a oposta: o que é confirmado pelas centenas de relatos apresentadas no trabalho dos Siemaszkos, havia boas relações,
 às vezes levavam ao casamento, amizade, etc entre as populações polacas e ucranianas na Volhynia no período pré-guerra. Os dois grupos viviam em boas condições até que as relações foram totalmente arruinadas durante a Segunda Guerra Mundial pela campanha realizada em grande escala por agitadores, na sua maior maior parte membros da OUN e UPA da Galícia, que propagaram uma forma extrema de chauvinismo entre os ucranianos que era nada menos do que genocídio.
3) As invenções descritas acima foram, no entanto, essencial para Lebed , de modo a que ele pudesse lançar a sua inverdade cardinal: a saber, que foram os próprios polacos que trouxeram sobre si as ações sangrentas dos ucranianos. Em auto-defesa, provocado, segundo ele, por actos por parte dos polacos, o povo ucraniano só "pagou em espécie todas as injustiças contra ele se tinham acumulado ao longo dos séculos". A forma que esse "pagar em espécie" tomou não é especificado, mas é óbvio que esta é uma tentativa velada de "justificar" o genocídio ucraniano contra os polacos que estavam quase totalmente indefesos.
4) Mais adiante, um tanto inesperadamente e como se quisesse minimizar a extensão da "retribuição ucraniano para tudo", Lebed produz mais adiante a forma como a UPA tentou atrair os polacos para a luta comum contra os alemães e os bolcheviques, supostamente " a fim de evitar uma ação de massa espontânea contra os polacos ". Na realidade, não houve tais tentativas genuínas de fazer os polacos participar, além da traição de atraí-los a fim de matá-los.
5) Quanto à alegada "ordem dada pela UPA" para que a população polaca abandonasse o território da Volhynia, a mesma nunca foi dada - como é demonstrado no trabalho dos Siemaszko.
 Muito pelo contrário - os polacos foram perfidamente encorajados a ficar onde estavam, tendo-lhes até sido dado garantias por escrito, para que pudessem ser assassinados quando a altura fosse mais apropriada. O que é mais, qualquer "ordem" teria sido em um acto criminoso de ilegalidade.
6) A jactância de Lebed de que, alegadamente, "quase toda a Volhynia" estava nas mãos da UPA, no verão de 1943, é mais uma fabricação.
 O facto é que as cidades e a maioria das pequenas cidades de Volhynia estavam, então, ainda ocupada por guarnições alemãs (e também, em parte, pelos seus aliados húngaros), e foi justamente graças a isto que milhares de polacos conseguiram salvar-se refugiando-se lá. A informação "concreta" dado por Lebed em como as forças da UPA teriam supostamente conseguido capturar a cidade Horochow no sudoeste da Volhynia também é totalmente fabricada.
7) A alegação de Lebed de que os polacos, tendo recebido a "ordem" para abandonar o território", geralmente a teriam cumprido voluntariamente", é uma invenção completa.
 A realidade é que, como é mostrado mais uma vez pelo trabalho dos Siemaszkos, algumas pessoas procuraram segurança fugindo, nem sempre com sucesso, para as cidades pequenas quando a matança era uma ameaça iminente, e os ucranianos já estavam lá com suas balas, facas e machados.
8) A passagem da "propriedade fundiária” polaca para “as mãos do povo ucraniano ", que é mencionado por Lebed (para além do facto de que tal "nacionalização" por parte da UPA ser um acto totalmente ilegal)
 , tomou a forma de bárbaros incêndios de casas polacas e dependências pelos bandos da UPA, de modo que, em regra, tudo o que restou foi uma terra despida. Isso está documentado no trabalho dos Siemaszkos. Ao mesmo tempo, Lebed passa em silêncio toda a questão da enorme quantidade de outros bens de propriedade dos polacos que foi simplesmente pilhada por milhares de homens e mulheres ucranianos.Tudo isso, também, está bem documentada no presente trabalho.
9) Finalmente, há também uma falsificação calculada dos factos na observação de Lebed de que deixaram de existir "os assentamentos polacos criados depois de 1920, como todos os lugares com o nome de Sienkiewicz, ou algum Ludwik, etc" Esta formulação permite-lhe desviar a questão de todos os milhares de polacos assassinados e das propriedades queimadas e demolidas, para a dos assentamentos especificamente "polacos", que vieram a existir depois do Tratado de Riga de 1921. Mas o facto é que esses "assentamentos" basicamente só compunham uma pequena parte das residências polacas rurais que existiam na Volhynia há gerações. Mesmo a Ludwikowka mencionada por Lebed (Comuna de Mlynow no Distrito de Dubno) era um antigo povoado polaco deste tipo.

Para resumir este aspecto - quase imediatamente após o genocídio ucraniano em larga escala cometido sob a liderança de Lebed contra os polacos na Volhynia, este mesmo criminoso elaborou e publicou uma publicação altamente falaciosa, tentando negar que o genocídio jamais havia ocorrido. Estas mentiras, modificadas, em certa medida, ainda estão a ser utilizadas, pelo menos em alguns dos seus aspectos, pela maioria dos historiadores ucranianos, bem como pelo clérigo grego-católico mencionado acima, ou recentemente, por exemplo, pelo autor polaco, Ryszard Torzecki (ver abaixo). Acrescentemos que Lebed, um ex-estagiário da Gestapo, que após a rendição da Alemanha em 1945 se escondeu em Roma com a ajuda de, entre outros, alguns dignitários eclesiásticos greco-católicos do Vaticano, estabeleceu rapidamente uma cooperação com a CIA. Em 1949 ele foi admitido nos Estados Unidos como um "perito" da CIA com base no "no questions asked", onde viveu, absolutamente imperturbado, até sua morte em 1998, enquanto as suas acções tê-lo-iam classificado para uma sentença de morte no período imediato do pós-guerra.



Vamos agora dar uma olhadela na “História da Ucrânia” de Yaroslav Hrytsak, Director do Instituto de Pesquisa Histórica na Universidade Nacional Ivan Franko de Lviv, recém-publicada em uma tradução polaca.
 Hrytsak escreve, entre outras coisas, sobre o ... “Massacre da Volhynia ... a limpeza étnica mutuamente sangrenta em que milhares de habitantes pacíficos foram vítimas de ambos os lados“... .Continuamos a ler, entre outras coisas: ... “Este foi o choque sangrento de dois grupos nacionalistas, cada um abrigando uma longa lista de erros mútuos e ódios. Nenhum dos lados no conflito era totalmente inocente ou totalmente culpada”. É surpreendente que Hrytsak, ao escrever sobre os números de polacos assassinados, observa que ... “historiadores polacos profissionais estimam o número de vítimas do lado polaco entre 60 a cem mil pessoas (dos quais cerca de 50 mil vieram da Volhynia), e do lado ucraniano em cerca de três vezes menos. ... (o que andaria à volta dos 20-30.000!).E assim o genocídio ucraniano sobre os polacos foi apresentado como uma "limpeza étnica mutuamente sangrenta", uma espécie de "conflito fratricida", ou, como é chamado por alguns outros ucranianos - "uma guerra civil", ou mesmo uma "guerra polaco-ucraniano"(sic!). Poder-se-ia então igualmente falar, como tão acertadamente observa Piotrowski, da "Guerra não declarada judaico-alemã".

Atitudes semelhantes são tomadas, em maior ou menor grau, por vários estudiosos ucranianos que participaram nos seminários históricos polaco-ucraniano que se têm realizadas desde 1996 sobre o tema "relações polaco-ucranianas durante os anos da Segunda Guerra Mundial".
 Estes ucranianos (assim como o acima citado Yaroslav Hrytsak, que não participa nestes seminários) geralmente falam a uma só voz sobre um mútuo massacre polaco-ucraniano, afirmando ter suas dúvidas quanto aos seus instigadores, usam de inverdades, não apoiam as suas teses com provas, etc Uma crítica sistemática dos quatro primeiros seminários da série foi dada por Wiktor Poliszczuk. Comentando sobre as declaração de um dos oradores da Ucrânia, ele formulou as seguintes observações gerais:

...
 Quase todas as frases, todas as afirmações feitas não só por este orador, mas também pelos outros participantes ucranianos no seminário, exigiria uma polémica fundamental, saturados que estão com propaganda, mentiras e distorções.

Em certas publicações ucranianas aparecem, além disso, as exigências altamente provocatórias de uma revisão das actuais fronteiras com a Polónia, grosseiras e irresponsáveis acusações ​​e insultos contra os polacos, e assim por diante.

Uma excepção importante é encontrada no trabalho de 270 páginas do historiador ucraniano Vitalyi Maslowskyi, publicado em ucraniano, em Moscovo, intitulado “Com quem e contra quem os Nacionalistas Ucranianos lutaram nos anos da Segunda Guerra Mundial”.
 O autor baseia-se, em parte, em fontes arquivísticas, e em parte em outros escritos, principalmente ucranianos e polacos. No último capítulo da sua obra ele cita Poliszczuk (discutido abaixo), muitas vezes com a maior aprovação, e todo o capítulo recebeu, aliás, o título “A OUN e UPA, como visto através dos olhos do ucraniano Wiktor Poliszczuk”. Ele traz à luz e condena o genocídio cometido contra a população polaca na Volhynia e na Galícia Oriental. Ao mesmo tempo, ele condena as atividades perigosas dos nacionalistas pós-UPA, na atual Ucrânia, que têm lugar não só em Lvov, mas também em Kiev, o “fundamentalismo galício", e outros fenómenos tais. Também criticado por ele são a promoção da doutrina totalitária e genocida do ucraniano Dmytro Dontsov, a edificação de monumentos aos homens da 14a Divisão SS ucraniana "Galizien" ("Halychyna"), aos líderes do OUN e da UPA: Yevhen Konovalets e Andryi Melnyk, Stepan Bandera, Roman Shukhevych e outros, e a glorificação dos assassinos de polacos, judeus, russos e ucranianos como heróis nacionais da Ucrânia, após os quais ruas e praças são nomeados, despertando o espírito da era Dontsov e Bandera , tão odiada pelas pessoas.

Deve-se aqui acrescentar que o professor Maslowskyi foi assassinado em Lvov em novembro de 1999 por autores supostamente desconhecidos, que eram na realidade claramente criminosos fanáticos pós-UPA, facto que é uma reminiscência de assassinatos semelhantes practicados pelo OUN no pré-guerra na Polónia, e pelo
 UPA em anos posteriores.

Também verdadeiros e valiosos são certos artigos publicados em duas revistas ucranianas na Volhynia nos anos noventa - o Dialoh (em Rovno) e Spravedlyvist (em Luck).
 Na primeira delas, por exemplo, (nº 49, dezembro de 1993), apareceu um artigo com um título que diz muito - A Tragédia de Volhynia: genocídio contra a população polaca. Estes documentos fazem testemunho.

Os escritos de ucranianos publicados no Ocidente, principalmente na América do Norte, são semelhantes, com pequenas excepções, aos publicador na Ucrânia por autores tais como Hrycak.
 Um exemplo de tais escritos embrenhados daquele espírito é a série Litopys UPA, publicada há muitos anos em Toronto. O historiador ucraniano Orest Subtelny, que trabalha nos Estados Unidos, escreve, por exemplo, da seguinte forma sobre o genocídio em Volhynia:

...
 Segundo fontes polacas, cerca de 60-80.000 homens, mulheres e crianças polacas foram massacrados pelos ucranianos na Volhynia nos 1943-44 anos.
... Os ucranianos afirmam que massacres de conterrâneos seus começaram antes disso, em 1942, quando os polacos aniquilou milhares de camponeses ucranianos nas regiões de Chelm (Khelm), habitada principalmente por polacos, e que continuou pelos anos 1944-45 contra a minoria indefesa ucraniana a oeste do San. É claro, em qualquer dos casos, que tanto os ucranianos como as unidades armadas polacas se envolveram na carnificina total, o culminar no apogeu sangrento de ódio que vinha crescendo entre ambas as nações há gerações.

A partir daí, poder-se-ia concluir de que foram os polacos quem começou os assassinatos em massa dos ucranianos, e que isso levou mais tarde a uma forma de guerra civil entre as unidades armadas de ambos os lados.~

Uma excepção digna do maior reconhecimento são as numerosas publicações de Wiktor Poliszczuk, bem conhecido na Polónia.
 Ele próprio é um ucraniano de Volhynia que viveu nos últimos vinte anos no Canadá. Ele é doutor em ciência política da Universidade de Wroclaw, e frequentemente visita a Polónia. Entre suas obras que nos interessam em particular, vamos observar o seguinte:
1) “A verdade amarga.
 O caráter criminoso do OUN-UPA”;
2) “Os historiadores polacos induzidos em erro”;
3) “Uma avaliação política e jurídica do OUN-UPA” (em três idiomas);
4) “A ideologia do nacionalismo ucraniano segundo Dmytro Dontsov”;
5) “O Nacionalismo Ucraniano Integralista como uma forma de fascismo”.

Mencione-se ainda as memórias de Danylo Shumuk, que serviu como um "politruk" na UPA e, posteriormente, passou muitos anos em campos soviéticos – “Life Sentence.
 Memórias de um prisioneiro político ucraniano” (Edmonton 1984), onde ele fala de forma crítica sobre o assassinato de polacos.

Quanto às obras polacas da década de noventa, têm aparecido algumas publicações menores que lidam com o genocídio contra os polacos na Volhynia.
 Estes são principalmente coleções de documentos (especialmente os relatos das testemunhas, o que representa valiosa documentação), ou trabalhos relacionados com o genocídio ucraniano em distritos específicos ou comunas na Volhynia. Nenhum deles, no entanto, se aproxima ainda do âmbito do trabalho dos Siemaszkos. Nenhum deles é tão complexo de carácter, ou apresenta a mesma profundidade da pesquisa e da riqueza de fontes como este trabalho, e nenhum deles pode ser visto como sendo definitivo. Este último aspecto é abordado no fim do presente Resumo. Há também uma revista, “Na Rubiezy”, publicada em Wroclaw, que desempenha um importante papel no fornecimento de documentação. Por outro lado, existem vários historiadores profissionais que oferecem meias-verdades ou mentiras, destinadas a passar em silêncio sobre factos  que pesam inequivocamente do lado ucraniano, ou tentando fornecer-lhe alguma forma de álibi. Estas obras encontraram sua inspiração, ao que parece, no espírito do mensal “Kultura” publicado em Paris por Giedroyc Jerzy. Outra influência seria o chamado “políticamente correcto” importado dos Estados Unidos, totalmente absurdo neste contexto, do qual resultam falsificações da verdade. A tese apregoada em Varsóvia a partir de 1990 sobre a Ucrânia ser uma "parceira estratégica" da Polónia (uma tese duvidosa que não pode ser discutido aqui por falta de espaço) não deve, todavia, impedir o desmascarar e condenar o genocídio ucraniano cometido mais de meio século atrás.

Devemos mencionar aqui, entre outras publicações, as de Wladyslaw Serczyk e Tadeusz Olszanski, e, de entre as mais recentes, as de Hanna Dylagowa, bem como o artigo mais recente de Ryszard Torzecki, que está cheio de puras fabricações no campo que nos interessa.
 É chocante, nesse texto, a seguinte passagem:

...
 “É comum ouvir que o confronto foi uma ação planeada pelos ucranianos, que desejavam livrar-se dos polacos através do assassinato, do qual não temos qualquer prova até hoje [!]. Os ucranianos tomaram a decisão de remover os polacos dos territórios disputados expulsando-os, e não assassinando-os [!]. Foi só quando o plano de expulsão não teve sucesso, e os polacos não quiseram deixar os territórios, que se recorreu à força [!].”

Será que realmente "não temos qualquer prova", como é reivindicado por Torzecki, de que os ucranianos tenham cuidadosamente planeado o genocídio cometido contra os polacos?Podemos referir, neste contexto, o trabalho coletivo, editado por Wladyslaw Filar, no qual ele se baseia num documento dos arquivos dos Serviços de Securança da Ucrânia na região da Volhynia, que contém uma directiva secreta do comando territorial UPA-Piwnicz, assinado por Klym Savur (Roman Klachkivskyi Dmytro).

O carácter iminentemente planeado dos crimes é definitivamente confirmado pelo trabalho dos Siemaszkos.
 O curso do genocídio sistemático que teve lugar na Volhynia no verão de 1943 está documentado em grande detalhe, mostrando que ele foi realizado de acordo com um e só plano de acção, e abarcou grandes áreas em intervalos de tempo regulares, com o resultado de que a "limpeza" dos polacos na Volhynia foi implementada mês a mês, em direcção ao oeste. Além disso, resta a questão, já levantada em conexão com as invenções por parte de Lebed, quanto à base legal e moral em que os ucranianos, alegadamente, "tomaram a decisão [!] de remover os polacos" da terra onde viviam, em sua maior parte, há gerações, "através da sua expulsão" (!). O ponto questionável é o alegado "ultimato" o qual, a ter sido proferido, teria sido totalmente contrário à lei, em torno do qual as mentiras estão sendo espalhadas pelo lado ucraniano até aos dias de hoje (no III seminário de História polaco-ucraniana de Luck, em 1998, por exemplo, o historiador ucraniano Roman Strilka alegou que:

...
 “Na Volhynia, a população polaca fora informada de que deveria dirigir-se para a outra margem do rio Bug dentro de 48 horas, caso contrário, estaria sujeita à aniquilação.”

Bem, jamais foi dado tal "ultimato" na Volhynia, como está documentado no trabalho dos Siemaszkos.
 Muito pelo contrário, o que  realmente aconteceu, como os Siemaszkos o provam, é que em grande número de casos, os ucranianos traiçoeiramente aconselharam os polacos não a fugir, sob a teoria de que "nada os ameaçava", e às vezes até lhes davam "garantias" por escrito (!). Houve casos em que lhes disseram que a fuga seria simplesmente tratada como traição (!), ou outros em que os polacos que tinham fugido, por exemplo, para lugares como Krzemieniec, foram atraídos a retornar para o campo, onde aqueles que voltaram em boa fé foram assassinados.

Finalmente, olhando para a afirmação de Torzecki de que era apenas quando "os polacos não queria deixar os territórios", que "a força era usada". Mesmo esta último ordem foi formulada de tal forma a dar a impressão de que isso poderia significar apenas expulsar pela força!
 A questão também se coloca, quanto às razões por que eles deveriam estabelecer um caminho de pobreza e maus-tratos na procura de bandidos? Onde eles foram concretamente ir sob a ocupação alemã? É desta forma vergonhosamente torcida que Torzecki escreveu e resumiu o genocídio de cinqüenta a sessenta milhares  de polacos da Volhynia.

Muitos autores deste grupo simplesmente propõem, a uma maior ou menor escala, e com pretensões de erudição, o pragmático postulado do ex-vice-presidente da Seym da Terceira República Polaca, Aleksander Malachowski. No Congresso de Ucranianos na
 Polónia em 1997, ele declarou: ... “Descobrir a verdade sobre a história é como a reabertura de antigas feridas, e devemos curar feridas” .... Tudo isso está ocorrendo num momento em que o genocídio ucraniano ainda é lembrado até hoje por muitos polacos a partir de sua terrível experiência pessoal.


Para resumir – o trabalho dos Siemaszkos documenta de uma forma excelente todo o curso do genocídio ucraniano contra os polacos da Volhynia durante os anos da Segunda Guerra Mundial.
 No seu campo, a obra constitui o que é chamado muitas vezes no mundo anglo-saxão como uma obra definitiva [definitive work] - um trabalho que é fundamental no seu completo, aprofundado e objectivo tratamento do assunto examinado. Certas adições suplementares naturalmente existirão no futuro, assim como haverá pequenas correcções em determinados sítios. Mas o assunto foi, em princípio, submetido a uma investigação exaustiva, e chegou-se a conclusões correctas.

Daí em diante, ninguém - com as exceções de notórios espalhadores de falsidade - será capaz de ter a menor dúvida sobre quem era o instigador do genocídio discutido aqui.
 Ninguém será capaz de continuar confeccionando as lendas sobre a forma como, na Volhynia, os ucranianos supostamente "apenas" exigiram em primeiro lugar que os polacos "voluntariamente" deixassem o território, e ninguém será capaz de ignorar a ilegalidade grosseiras que tais acções teriam representado. Não haverá espaço para grandes questionamentos acerca dos factos  por trás do premeditado e surpreendentemente bárbaro genocídio ucraniano perpetrado sobre os polacos da Volhynia, que compunham menos de 17 por cento da população, e estavam, aliás, quase totalmente indefesos. E, finalmente, nenhuma pessoa honesta irá continuar, mesmo por lapso, a apelidar os eventos da Volhynia que nos interessam aqui como uma "guerra civil", "conflito fratricida", "choque de dois nacionalismo", "guerra polaca-ucraniana", etc .

O trabalho dos Siemaszkos, que é o produto de mais de 10 anos de pesquisa, é um estudo abrangente e fundamental dentro do âmbito do assunto abordado, realizado a uma escala não ultrapassada até agora na Polónia dentro deste campo específico.
 Foi preenchido um vazio considerável na história da Polónia na época da Segunda Guerra Mundial, em geral, e na história do genocídio cometido contra os polacos, nesse período em particular.

Emerge um quadro que, tomado como um todo, é um de uma forma particularmente bestial de genocídio, o qual o lado culpado se recusa, até agora, a admitir.
 Os ucranianos não têm, até agora, seguido o exemplo dos alemães, ou mesmo dos russos, que admitiram oficialmente os genocídios que haviam perpetrado. Os ucranianos têm adotado, em vez disso, o "caminho turco", - porque os turcos, como é sabido, não querem admitir, até hoje, o genocídio cometido nos anos da I Guerra Mundial contra cerca de um milhão e meio de arménios . Fontes oficiais na Turquia têm mantido o seu silêncio sobre o assunto durante décadas. Foi só quando jovens arménios começaram a assassinar diplomatas turcos nos anos setenta e oitenta, (as vítimas eram, entre outros, os embaixadores em Viena, Paris, o Vaticano e em Belgrado, bem como os cônsules e outros) [desta ofensiva fez parte o assalto à Embaixada Turca em Portugal, na qual se estreou o Grupo de Operações Especiaia da PSP] que uma significativa "contra-ofensiva publicitária” turca nos média e na imprensa foi lançada. Os assassinatos aparentemente havia sido planeados ... “para lembrar o governo imperialista turco dos crimes cometidos contra o povo armênio”. A "contra-ofensiva publicitária " tentou apresentar os acontecimentos do ano de 1915 e os anos seguintes como uma "guerra civil" trágica, instigado, além disso, pela minoria arménia (uma estranha semelhança com as falsidades da Ucrânia em relação aos acontecimentos em Volhynia!) . Também são utiliadas expressões tais como: Nenhuma violência, nenhum terror no mundo vai fazer-nos pedir perdão por um crime que não foi cometido (!).

Hoje, a Arménia, recém-livre, não hesita em falar abertamente do genocídio cometido nesse momento.
 Trouxe o assunto, por exemplo, às Nações Unidas. Ela também apela à Turquia para conversações directas para resolver o problema. Além disso, o genocídio arménio foi condenado publicamente por vários parlamentos estrangeiros, em 8 de novembro de 2000, pelo Senado francês (em 1998 pela Assembleia Nacional francesa), e anteriormente pelo Parlamento grego, o Senado belga e, em 14 de abril de 1995, pela Duma russa. Mas os consecutivos governos da III República Polaca têm simplesmente medo de tocar no assunto do genocídio ucraniano - por razões da suporta "parceria estratégica” indicado acima.

Por fim, fica-se impressionado pela ausência de qualquer manifestação de uma atitude honesta com princípios para com o genocídio que estamos discutindo da parte de qualquer elite intelectual ucraniana, em particular os escritores ou os estudiosos.
 Lembremo-nos que o orgulho da literatura alemã, Prémio Nobel Thomas Mann, depois de mencionar no seu romance Doktor Faustus que um certo general "transatlântico" (ou seja, norte-americana) tinha ordenado, em 1945, que os habitantes de Weimar fizessem filas diante dos crematórios do campo de concentração local, escreveu, entre outras coisas: ... “É o sentimento de culpa muito mórbida que faz perguntar-se a questão de como é que a Alemanha, no que quer que venham a ser as suas manifestações futuras, poderá ter alguma vez a pretensão de abrir a boca nos assuntos humanos?”.

Ou vamos considerar o futuro alemão Prémio Nobel Gunter Grass, que já como um jovem, caiu sob a forte influência do trabalho publicado em 1951 pelo ilustre filósofo e sociólogo Theodor Adorno, e sempre condena veementemente o genocídio alemão cometidos durante
 Segunda Guerra Mundial. Chegou ao ponto em que, com o surgimento da questão da unificação da República Democrática Alemã e a República Federal da Alemanha, Grass saiu contra ele. Seus argumentos eram de que uma Alemanha unida (o Reich) havia organizado e conduzido o genocídio. Ele falou da experiência... “que os criminosos, como nós, bem como as nossas vítimas, tiveram com uma Alemanha unificada, e Auschwitz como ... um estigma permanente da nossa [isto é, História] alemã, etc Ele fez alusão a essas declarações novamente em 2000. Muitas vezes me deparei com posições semelhantes, mais ou menos fortemente articuladas em universidades na Alemanha. Não há nenhum vestígio de qualquer coisa semelhante a esta, por parte dos intelectuais ucranianos.

O trabalho dos Siemaszkos é, portanto, tudo o mais necessário e valioso.
 Ele é merecedor da mais ampla divulgação não apenas na Polónia, mas também na Ucrânia e na Europa Central em geral. Deve, também, desfrutar de ampla promoção no Ocidente, incluindo o seu uso cuidadoso na disciplina emergente de genocídio comparativo.

Quanto ao aspecto moral que está em causa, visto especialmente do ponto de vista polaco, não pode haver perdão para este genocídio, quer para aqueles que cometeram torturas e assassinatos perpetrados massa, ou para os ucranianos "eruditos" e até mesmo o clero, que
 mentiu sobre este assunto durante as décadas seguintes, e até o presente, e continuará a fazê-lo, ofereceu a todos os tipos de meias verdades, conscientemente confundindo os factos , afirmando que tudo é relativo ou fazer uma demonstração de manter o silêncio.

Mas no final a verdade deve sair, por parte dos ucranianos também - DUCUNT FACTA VOLENTEM, NOLENTEM TRAHUNT.
 Pura e simplesmente, não será possível falsificar esse genocídio.